Esquiadora conta detalhes de como perdeu olho após ser atingida por galho de árvore
O caminho para a aceitação e para começar a falar sobre o drama que viveu foi longo.
Agora, a esquiadora e snowboarder Shelby Perry, de 35 anos, sente-se confortável para falar sobre o grave acidente que lhe cobrou um preço alto: a experiente atleta de Salt Lake City (Utah, EUA) perdeu o olho esquerdo após ser atingida por um galho de árvore durante uma descida de montanha com amigos.
Shelby contou que a borda da sua prancha travou, fazendo com que ela perdesse o controle e raspasse em árvores próximas. Ela relatou que não tinha ideia do que havia acontecido até desmaiar completamente. O impacto fez com que a lente de seus óculos de proteção se soltasse. Seu olho esquerdo ficou exposto por uma fração de segundo, porém tempo suficiente para que um galho fino o perfurasse.
"Eu nem percebi o que tinha acontecido. Eu não tinha caído. Eu ainda estava me movendo para frente. Então senti sangue escorrendo pelo meu rosto e tudo ficou escuro", relembrou ela.
Ela foi levada às pressas para o hospital mais próximo, onde médicos descobriram uma lesão devastadora: a perfuração havia atingido o osso orbital posterior do olho.
Esquiadora americana Shelby Perry antes de perder o olho esquerdo
Reprodução/Instagram
Shelby Perry com o namorado
Reprodução/Instagram
O quadro era dramático, mas cirurgiões trabalharam desesperadamente para salvar o olho com uma série de operações. Shelby recebeu mais de 30 pontos profundos dentro do olho e stents nos canais lacrimais. Mas o dano já estava feito e, dois meses após o acidente, os médicos deram a notícia que mudaria a vida de Shelby para sempre: seu olho esquerdo não poderia ser salvo. Ele teve que ser removido, e a snowboarder passou por uma última cirurgia em 29 de abril de 2021.
"Olhando para trás, isso foi uma bênção. Eu não precisei carregar o peso da escolha", declarou.
Aprendizado
Shelby precisou se aceitar e começar a aprender a viver sem a visão de um olho. Tarefas cotidianas que antes eram tão simples, como dirigir, de repente exigiram paciência e reaprendizado. Sem um olho, a pessoa perde a percepção de profundidade, complicando atividades como subir e descer escadas e calcular a distância ao passar por meios-fios, e tem redução de cerca de 25% do campo visual, especialmente na área periférica do lado do olho afetado, facilitando colisões com objetos, pessoas ou obstáculos, além da possibilidade de sofrer tontura.
"A parte mais difícil foi aceitar que eu estava perdendo uma parte de mim com a qual nasci. Percebi que a vida pode mudar repentinamente e drasticamente, sem aviso prévio", desabafou ela.
A americana se sentiu isolada pela perda do olho, justamente quando mais precisava de conexão, e começou a compartilhar sua experiência no Instagram, como parte do processo de recuperação psicológica.
Esquiadora Shelby Perry perdeu o olho esquerdo após ser atingida por galho de árvore
Reprodução/Instagram
Com o tempo, ela construiu uma comunidade nas redes sociais conectando pessoas que, de outra forma, poderiam ter enfrentado a perda da visão sozinhas.
Shelby se tornou empresária de sucesso e desenvolveu uma linha de adesivos oculares para pessoas que lidam com a perda da visão e próteses, baseando-se em sua própria experiência de dificuldade para encontrar protetores oculares confortáveis e de alta qualidade após a cirurgia.
