Uma militante de esquerda de Florianópolis publicou nas redes sociais, neste sábado (24), véspera do segundo turno, um vídeo com a foto de uma criança com o rosto destruído por um tiro de fuzil, ensanguentada e entubada, para pedir voto em Lula (PT). A imagem foi desfocada pelo Jornal Razão.
No vídeo, Daiane Cristina Piccoli mostra a foto ao lado do rosto e começa: “Eu quero que você olhe o estrago que uma bala de fuzil faz no rosto de uma pessoa. Tá aqui, ó”.
Depois, ela se dirige às mães: “Agora eu quero que você imagine, você mãe, o estrago numa criança de cinco anos no seu colo”. Na legenda do post, escreveu: “Você mãe só imagine!”.
Em seguida, Daiane liga a imagem ao caso de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, morta em 2 de fevereiro de 2021 por um tiro de fuzil enquanto brincava na porta de casa com o irmão, de 2 anos, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). “Flávio Bolsonaro é o advogado de defesa do policial militar que disparou esse tiro”, afirma.
O vídeo termina com o pedido: “Então é simples: a escolha amanhã é 13”. O policial ainda não foi julgado.
O Ministério Público do Rio denunciou um cabo da PM pela morte, e a defesa sustenta que ele reagiu a um ataque de traficantes. O caso vai a júri popular, ainda sem data marcada.
Em 2024, Flávio Bolsonaro (PL) integrou a equipe de defesa e assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar tirar o caso do Tribunal do Júri. O STJ negou o pedido.
O caso virou uma das principais armas da campanha de Lula na reta final. O petista levou o tema ao debate da Band, em 18 de outubro, e, segundo o portal Metrópoles, levou a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, para acompanhar o debate da TV Globo na sexta-feira (23).
Neste sábado, em Copacabana, Lula chamou de “policial bandido” o PM que ainda não foi julgado. Flávio responde que não se pode criminalizar a advocacia.
Daiane, conhecida como Mafalda, é liderança comunitária na Serrinha, no Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis. Natural de Erechim (RS), ela foi apresentada num podcast de um projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) como “mãe, feminista e militante antiproibicionista”.
Em 2024, recebeu uma moção de aplauso da Câmara Mirim de Florianópolis, que cita a atuação dela nos coletivos Horta Conexão Raiz e Girl from Favela. Em outra imagem que circula nas redes, Daiane aparece numa praça erguendo um baseado gigante de papel, com a frase “Maconheiro(a) vota 13”.
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