Os partidos da esquerda radical da Espanha apresentaram, neste sábado (17), listas separadas de candidatos para uma eleição antecipada, após o fracasso das negociações sobre um acordo nacional. A divisão reduz as chances de o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, permanecer no poder à frente de uma coalizão de esquerda.
O sistema eleitoral espanhol prejudica os partidos menores que concorrem separadamente, sobretudo nas províncias menos populosas, onde há menos cadeiras em disputa.
A divisão também pode desanimar os eleitores de esquerda, que os organizadores esperavam mobilizar em torno dos protestos por moradia e do temor da extrema direita.
A Frente Ampla, uma plataforma que reúne vários partidos representados no governo minoritário, e o Podemos, outro principal partido da esquerda radical, vinham discutindo publicamente sobre quem encabeçaria as listas conjuntas para a eleição de 29 de novembro em Madri e Barcelona, os maiores distritos eleitorais.
As antigas animosidades entre ex-companheiros que se tornaram rivais não ajudaram.
“Estes últimos dias foram muito difíceis (...) Algumas pessoas ficarão decepcionadas hoje e, por isso, peço desculpas”, disse Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e líder da Frente Ampla, no evento de lançamento de sua plataforma em Madri.
O Podemos, cuja principal candidata é a ex-ministra da Igualdade Irene Montero, havia proposto prévias abertas para definir a ordem dos candidatos nas listas conjuntas.
Mas a Frente Ampla recusou a proposta, argumentando que havia pouco tempo, e queria que seus candidatos preferidos encabeçassem as listas em Madri e Barcelona.
O Podemos então firmou um acordo separado com a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que defende a independência catalã.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez REUTERS/Fabian Bimmer
Valor