Esquerda e extrema-direita vão ao 2º turno presidencial em Portugal

 

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A esquerda e a extrema-direita vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal.

Com 31% dos votos, o candidato apoiado pelo Partido Socialista António José Seguro liderou o pleito deste domingo, enquanto André Ventura, da sigla anti-imigração Chega, teve 23%.

Depois da divulgação dos resultados, Seguro disse não representar um partido e pediu o apoio dos humanistas e progressistas para derrotar o extremismo.

Já Ventura disse que a direita nunca esteve tão fragmentada no país e os portugueses lhe entregaram a liderança deste campo político.

Outros três nomes aparecem com mais de 10 por cento dos votos. Dois deles são ligados a centro-direita e outro é um almirante da reserva que já declarou estar "entre o socialismo e a social-democracia".

Portugal tem um sistema político de semipresidencialismo. A chefia do governo é exercida pelo primeiro-ministro. Já o presidente é o chefe de Estado e costuma agir em momentos de crise, podendo dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições.

O primeiro-ministro português é Luís Montenegro, líder do partido de centro-direita, e já declarou neutralidade na disputa presidencial.

A confirmação do segundo turno rompe uma tradição. Isso porque, nos últimos 40 anos, todas as eleições presidenciais em Portugal foram decididas na primeira etapa.

A eleição deste domingo também marca um rompimento da polarização dos partidos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda no país.

A professora de Relações internacionais da ESPM e doutora em Ciência Política Denilde Holzhacker, analisa o surgimento do discurso anti-imigração como fundamental para a ascensão da extrema-direita.

"O governo vem fazendo restrições a imigração de forma geral. Mas se vê também um discurso maior de ódio em alguns dos grupos em relação aos estrangeiros. E aí o que gera? Gera uma normalização e passa a ser atribuído como parte do jogo político o que antes não era aceito", afirmou.

A Presidência de Portugal é ocupada há quase dez anos por Marcelo Rebelo de Sousa, ligado a centro-direita e impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Ele ficou marcado por uma postura conciliadora durante as sucessivas crises políticas vividas pelo país.

O segundo turno está marcado para o dia oito de fevereiro.