Esquerda critica Nikolas Ferreira por voos em jatinho de Vorcaro, dono do Banco Master: 'mentira e cinismo'

 

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Parlamentares da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiram ao fato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ter usado um jatinho do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para fazer campanha pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela coluna de Malu Gaspar, do GLOBO. Membro da CPMI do INSS, o deputado federal petista Rogério Correia afirmou que protocolou um requerimento para que Nikolas seja convocado a depor. O deputado mineiro alegou que soube apenas posteriormente que a aeronave pertencia a Vorcaro (lei a nota na íntegra abaixo).

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Os voos ocorreram em pelo menos nove estados e no Distrito Federal ao longo de dez dias no segundo turno das últimas eleições. O jatinho foi utilizado nos deslocamentos da caravana Juventude pelo Brasil, liderada por Nikolas e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha. O objetivo era angariar votos nas regiões onde Lula teve maioria na primeira rodada em busca de reverter o resultado na reta final.

Nas redes sociais, Correia publicou que pretende levar Nikolas para dar esclarecimentos na CPMI do INSS: "Protocolei requerimento URGENTE para convocação do aviador Nikolas Ferreira para a #CPMIdoINSS. Ele voou no jatinho de Vorcaro para fazer campanha contra Lula nas eleições de 2022. Qual o interesse de Vorcaro e dos banqueiros do Master em ter Bolsonaro presidente?", escreveu.

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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara, ironizou Nikolas. Segundo ele, deputado mineiro e Vorcaro "surgiram juntos" na igreja comandada pelo pastor André Valadão.

— Quando teve aquela marcha do Nikolas (caminhada rumo a Brasília), muita gente dizia: "olha, ele está fazendo isso para mudar a pauta e diminuir o impacto no caso Master" — disse o deputado, que também mencionou que o cunhado de Vorcaro, o empresário e pastor Fabiano Zettel, foi o principal doador das campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022.

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Ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann também mencionou a situação envolvendo Zettel. Além disso, a ministra definiu como "cinismo" o fato da oposição tentar usar o escândalo para desgastar a imagem do governo.

"A verdade é que foi somente no governo do presidente Lula que o escândalo foi investigado e desvendado pela Polícia Federal. E foi a diretoria do Banco Central indicada por Lula que decretou a liquidação do Master. Este escândalo é todo de vocês, deputado Nikolas. A mentira e o cinismo também", disparou Gleisi.

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A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também reagiu à divulgação. A parlamentar ironizou a resposta enviada por Nikolas ao GLOBO, que argumentou que "não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião" à época.

"Impressionante como Nikolas nunca tem conhecimento sobre quem o cerca", escreveu Talíria.

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O ministro da Secretaria-Geral do Governo, Guilherme Boulos, utilizou o ocorrido para ironizar a manifestação "Acorda Brasil", convocada por Nikolas no último final de semana. Os atos bolsonaristas foram realizados em diversas capitais e tiveram como objetivo criticar Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Já à direita, o fundador do MBL e pré-candidato à Presidência pelo partido Missão Renan Santos também utilizou as redes sociais para ironizar Nikolas.

"A caravana do amor era bancada pelo Vorcaro. É por isso que a turma do rapaz aí nunca fala do Vorcaro ou da Lagoinha", publicou.

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Confira a íntegra da nota enviada pelo deputado federal Nikolas Ferreira:

Esclareço que o voo em questão ocorreu há 4 anos atrás, durante o segundo turno da campanha eleitoral, quando fui convidado para participar de um evento político “Juventude pelo Brasil” e foi disponibilizada uma aeronave para o deslocamento.

À época, não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião. Minha presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave, que posteriormente se soube tratar-se de Daniel Vocaro.

Ressalto ainda que, em 2022, o nome citado não era de conhecimento público nem havia qualquer informação que levantasse qualquer tipo de alerta. Mesmo que houvesse a tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular ou que justificasse questionamento.