Esquerda comemora operação de busca e apreensão da PF contra Cláudio Castro: 'Avisei que ia acontecer'

 

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Integrantes da esquerda e parlamentares governistas comemoraram a operação da Polícia Federal (PF) que mirou o ex-governador Cláudio Castro (PL) na manhã desta sexta-feira. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dele na mesma ação que teve como alvo Ricardo Magro, dono do grupo Refit, alvo de mandado de prisão preventiva. Ainda segundo a PF, como o empresário reside fora do Brasil, também foi feito o pedido de inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A operação contra Castro foi comemorada nas redes sociais por representantes da esquerda, como Marcelo Freixo (PT-RJ), ex-deputado federal e ex-presidente da Embratur. "Eu avisei lá atrás que Castro ia ser preso, não é? Parece que essa hora está chegando", disse em um post no X. Já Anielle Franco (PT), ex-ministra da Igualdade Racial e pré-candidata a deputada federal, escreveu em uma publicação que o ex-governador que "renunciou um dia antes de ser cassado acaba ser alvo de uma operação". "Mais um cidadão 'de bem' envolvido em corrupção". ela acrescentou.

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Também do PT, Tainá de Paula, ex-secretária municipal do Meio Ambiente e aliada do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que "o inelegível Cláudio Castro aparece no centro de uma operação da Polícia Federal" que "investiga um esquema de sonegação de impostos que poderia estar financiando saúde, educação e políticas públicas no Rio". Já o vereador William Siri, pré-candidato ao governo do estado pelo PSOL, escreveu que "esse é o triste retrato das últimas décadas no Rio de Janeiro, com governadores presos e/ou cassados".

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Entenda a operação contra Castro

Agentes da PF foram até a residência do ex-governador nesta manhã no âmbito da operação Sem Refino — autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) —, que apura a atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis por suspeita de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

As investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A investigação integra as apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da chamada ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal do Brasil. Além de Castro, também são alvos desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.

Castro, que pretende disputar um cargo no Senado neste ano, deixou o comando do estado no final de março deste ano, na véspera da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível. Desde então, quem governa o estado é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.

Procurado, o advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, disse que "ainda não tem conhecimento da motivação da busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes". De acordo com informações da TV Globo, o ex-governador estava em casa no momento da operação.