'Espero que, após esse julgamento, eu consiga viver o meu luto', diz Leniel Borel

 

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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro começa a julgar, nesta segunda-feira (23), o caso do menino Henry Borel, mais de cinco anos após a morte da criança. O processo será analisado pelo Tribunal do Júri da Capital. A sessão será presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro. No entanto, existe possibilidade do julgamento ser adiado.

A defesa de Jairo vem alegando que não teve acesso a um notebook pessoal de Leniel Borel, pai do menino, e que essa prova seria importante, inclusive o acesso à integralidade, para que eles pudessem basear a defesa deles. Além disso, existe também a possibilidade ventilada no Tribunal de Justiça, de que a defesa de Jairo deixe o caso, caso essa possibilidade de adiamento não ocorra, o que forçaria, então, um adiamento para esse julgamento.

Henry Borel

Divulgação

Na porta do Tribunal de Justiça, Leniel Borel, pai de Henry, atualmente vereador do Rio, conversou com a imprensa. Ele disse que o julgamento de hoje é importante para que a família consiga viver um luto e para que o menino, Henri Borel, filho dele, possa descansar em paz:

"Mas eu espero que, após esse julgamento, eu consiga viver o meu luto, pelo meu filho, que deixe meu filho descansar em paz, que eu consiga descansar em paz, que a minha família consiga descansar em paz. Eu nunca imaginei que eu ia conhecer alguém que tivesse um filho violentado, que saia assassinado. E aconteceu ali, na minha família. (...) Hoje, o Rio de Janeiro, o nosso estado, pessoal, é o estado mais violento com relação à criança e adolescente. Hoje, é perigoso ser criança no Rio de Janeiro. O número de assassinatos de crianças menores de 4 anos, que meu filho está nessa estatística, bateu recorde. E quem vai falar sobre isso? Mas eu espero que após esse julgamento, eu consiga viver o meu luto pelo meu filho, que deixe meu filho descansar em paz, que eu consiga descansar em paz, que a minha família consiga descansar em paz".

Relembre o caso

O menino, de apenas quatro anos, morreu em março de 2021, com sinais de agressão, em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas já chegou sem vida à unidade.

Os réus são o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, padrasto da criança, e a mãe do menino, Monique Medeiros. Os dois estão presos preventivamente desde 2021. O Ministério Público sustenta que Jairinho foi o responsável direto pelas agressões que levaram à morte.

Jairo Souza Santos Júnior é acusado de homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e sem chance de defesa para a vítima, além de três episódios de tortura ocorridos antes da morte do menino Henry Borel. Já Monique Medeiros responde por homicídio qualificado por omissão, sob a acusação de não ter agido para impedir as agressões contra o filho.

A defesa de Jairinho deve alegar que ele não teve participação no crime e questionar laudos periciais. Já a estratégia da defesa de Monique é afastar a responsabilidade dela no momento da morte, dizendo que ela estava dormindo durante o ocorrido.

Um ponto de incerteza é a ausência da babá da criança, considerada peça importante para a linha de argumentação da defesa de Monique, que não foi localizada para depor.

A previsão é de que o julgamento se estenda por até dez dias, com a oitiva de 26 testemunhas, o interrogatório dos réus e os debates entre acusação e defesa. Ao final, caberá ao Conselho de Sentença decidir se os acusados são culpados ou inocentes.