À espera de 'fumacinha branca' de Kassab, pré-candidatos do PSD pregam união contra Lula

 

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Recém filiado ao PSD de Gilberto Kassab, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, defendeu, nesta quarta-feira, 28, a pulverização de candidaturas presidenciais da direita para desgastar Lula (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto, e confirmou que tratou do assunto em um encontro na semana passada com o senador Flávio Bolsonaro (PL), outro postulante na disputa.

— Ele entendeu perfeitamente. Foi uma conversa na casa dele, de mais de duas horas, onde nós detalhamos esses assuntos, mostrando que o número maior de candidaturas no primeiro turno dá condição de viabilizar no segundo turno. Uma candidatura única no primeiro turno é o que o Lula quer, nós não estamos fazendo o gosto do Lula, nós estamos querendo ganhar a eleição — disse Caiado.

Ao lado dos outros dois pré-candidatos da sigla, os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), declarou ainda que todos estão à espera da “fumacinha branca” do dirigente partidário, em referência ao processo de escolha do Papa. Leite rejeitou a ideia de prévias e Ratinho ampliou esse processo a um grupo de notáveis dentro do PSD.

— O presidente Kassab lidera essas discussões internamente e não há nenhum critério objetivamente definido. Vai ser pela capacidade de entendimento político daquilo que melhor, no processo eleitoral, possa ser exitoso. É um processo interno um pouquinho mais complexo, mas logo ali na frente teremos uma candidatura mais fortalecida — afirmou o gaúcho.

— Teremos um grupo de formadores, de homens e mulheres que fazem parte do partido. E a análise vai ser entre nós. Não queremos disputar um com o outro. Quem tem mais condição de representar um projeto de um novo Brasil, de virar essa página? Acho que aqui todo mundo já está politicamente realizado como governador do seu estado — complementou Ratinho.

O trio, mais o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também anuncia pré-candidatura a presidente, estiveram juntos em um evento do banco UBS, em um hotel de luxo em São Paulo, no começo da tarde. Durante palestra aos empresários, firmaram compromissos com austeridade fiscal e reformas administrativas e eleitorais e foram associados a uma alternativa “contra os extremos”.

O alinhamento suscitou a pergunta sobre o que teriam para mostrar de diferente da candidatura de Flávio, que tem apoio de Bolsonaro.

— Bom, primeiro, eu acho que nós temos muito mais semelhanças do que diferenças. No que depender de mim, nós quatro aqui, mais o Flávio, estaremos juntos. Já manifestei publicamente que estarei apoiando qualquer um deles e também o Flávio no segundo turno contra o PT — declarou Zema.

Caiado disse que todos deram uma “prova de total desprendimento” com suas aspirações pessoais e citou políticas locais como trunfo na eleição de outubro.

— Sou governador do meu estado, eu tenho o que mostrar.

Mais cedo, em entrevista à GloboNews, Leite e Caiado foram indagados sobre como esse plano afeta outro possível concorrente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab é secretário de Governo no estado e demonstrou, em mais de uma ocasião, a intenção de apoiá-lo numa chapa a presidente. Tarcísio, contudo, foi preterido por Jair Bolsonaro, que optou pelo filho.

— O governador Tarcísio tem nosso profundo respeito, mas naturalmente se visualiza que o caminho que ele terá será a reeleição como governador em São Paulo — respondeu Leite, em linha com as declarações públicas do chefe do Executivo paulista.