Especialistas veem maior facilidade para investir no exterior e

Especialistas veem maior facilidade para investir no exterior e 'investidor mais qualificado e diversificado'

 

Fonte: Bandeira



O brasileiro nunca investiu tanto no exterior. Dados do Banco Central (BC) mostram que, em 2025, os investimentos offshore somaram US$ 58,8 bilhões, o maior volume anual já registrado. Por outro lado, a estimativa é de que apenas 2% do patrimônio da pessoa física esteja alocado no exterior. As iniciativas para mudar o home bias do brasileiro (viés de investimento local) são muitas e começam a ganhar reforço dos bancos, o que pode acelerar o passo. A porta de entrada para o brasileiro médio é o mercado americano, pelo tamanho e diversidade, concentrando a maior parte das iniciativas.

Efeitos da guerra: Combustível sobe mesmo com subsídio, puxa inflação e vira obstáculo para corte de juro

Especialistas: Tarifa diferenciada de energia e digitalização são caminhos para Brasil atrair novos investimentos

O pesquisador do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP William Eid lembra que o surgimento de plataformas que dão acesso ao exterior a um custo menor ajuda, mas não resolve o home bias elevado.

— O acesso, antes restrito a grandes investidores, começou a mudar. A tecnologia reduz o custo, mas o desconhecimento sobre a relevância de diversificar regionalmente permanece — explica William Eid.

Eid acrescenta que todos, em maior ou menor grau, deveriam ter parte dos investimentos em dólar para proteger o poder aquisitivo:

— É importante que os grandes bancos participem do jogo, facilitem o caminho, o que por muito tempo não foi interesse das casas.

Initial plugin text

Trabalho educativo

A necessidade de um trabalho educativo para elevar o investimento offshore do brasileiro é ponto comum dos discursos.

— Todo o material precisa ser em português para que entendam a regulação, como serão tributados e o passo a passo para abrir uma conta no exterior — explica Marcela Rocha, CIO da Avenue, plataforma reconhecida por iniciar o movimento e democratizar o acesso ao exterior.

Segundo a CIO, o tíquete médio das operações vem caindo, o que demonstra a ampliação do acesso:

— O perfil das operações vem mudando. Antes, era algo tático, aproveitando o nível do câmbio ou oportunidade em uma ação específica. Agora, vemos um investidor mais qualificado, estratégico e diversificado.

A CIO da Avenue vê como muito positivo iniciativas dos bancos para facilitar investimento offshore:

—Isto é importante porque o brasileiro ainda acha que é difícil ter conta fora, fica inseguro. Na Avenue, abre a conta hoje, o câmbio é feito no dia seguinte e ele começa a investir.

Os serviços incluem assessoria de investimento, montagem e acompanhamento das carteiras, além de orientações sobre tributação e declaração de IR.

'Caixinha' do Tesouro: Veja como funciona o novo investimento para montar reserva financeira

Nos bancos, o movimento de facilitar ao investidor médio acesso a ativos no exterior é algo que está em curso.

— A diversificação global hoje é uma conversa que chega a locais que antes não chegava, não está mais restrito aos “ultra-high”. O investimento offshore está na base dos Private, no segmento Estilo — comenta Diogo Rosostolato, CEO da BB Securities, subsidiária do Banco do Brasil. — Eles já acessam investimentos nos Estados Unidos e preparamos novidades para o segundo semestre.

A BB Securities terá dois novos modelos de atendimento para o investidor atuar no mercado americano. No primeiro, para quem tem entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, parte do atendimento será humanizado e com acesso a portfólios modelos para diferentes perfis de risco. A outra estratégia é o desenvolvimento de um home broker internacional para clientes a partir de US$ 1 mil, no modelo de autoatendimento. A plataforma foca no segmento Estilo Investidor, a partir de R$ 500 mil, e no High Estilo, de R$ 1 milhão.

— Terá acesso ao mercado de ações, bonds, fundos de investimentos e poderá montar uma carteira offshore — comenta o CEO.

Rosostolato também defende a importância de os bancos ampliarem o acesso offshore, reduzindo valores e dando suporte.

— Todos nós somos concorrentes (bancos x plataformas), mas no final do dia esse é um mercado ainda pouco explorado. Tem espaço para todo mundo crescer.

Sobre a importância de ter parte dos recursos no exterior, Rosostolato lembra que o mercado americano tem oportunidades únicas:

— O brasileiro pode comprar BDRs de empresas americanas na B3, mas não captura 100% do ativo. Aqui tem menos liquidez, fator que dita preço.

Como parte dos esforços do BB, a casa pretende fazer um De/Para com orientações sobre tributação e declaração de IR.

Ibovespa acumula alta expressiva neste ano: ainda vale a pena investir no principal índice da Bolsa?

Mudança na pandemia

No Bradesco, explica a CIO do banco, Juliana Laham, ampliar o acesso passa pelo Bradesco Bank e pelo novo segmento de cliente, o Principal — intermediário entre o Prime e o Private.

— O home bias ainda é alto, mas começou a mudar a chave na pandemia, quando o juro caiu a 2% e o mercado internacional chamou a atenção — afirma Juliana.

O Principal foca em clientes com renda a partir de R$ 25 mil e investimentos de R$ 300 mil. O Bradesco Bank nasceu após a aquisição do BAC Flórida (2019). O banco informa que não há valor mínimo para abrir uma conta no Bradesco Bank, em Miami — os investimentos começam a partir de US$ 100.

A CIO do banco também exalta a necessidade de o brasileiro entender as diferenças entre o mercado brasileiro e o americano, maior e mais diverso:

— O grande desafio para ampliar o acesso é educacional, criar disciplina de investimento e cultura de portfólio diversificado, que inclui exposição a outra moeda e país. Será um processo de ganha-ganha para todos.