Especialistas: toxicidade do oxigênio e pânico generalizado podem ter levado a tragédia com cinco mortes nas Maldivas
Toxicidade do oxigênio e o pânico generalizado estão entre os principais fatores que podem ter levado à morte de cinco turistas italianos que desapareceram durante um mergulho arriscado em área de cavernas nas Maldivas, na manhã de quinta-feira (14/5), no horário local, segundo especialistas.
O pneumologista Claudio Micheletto disse ao portal italiano "Adnkronos", que "é provável que algo tenha dado errado com os cilindros de ar", já que os cinco mergulhadores morreram na mesma excursão a cerca de 50 metros de profundidade nas águas do Atol de Vaavu, o que desencadeou uma investigação policial.
"A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho, um fim horrível", acrescentou Micheletto, diretor de Pneumologia do Hospital Universitário de Verona (Itália).
Italianas Monica Montefalcone e Giorgia Sommacal: mãe e filha mortas durante mergulho nas Maldivas
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Italiana Muriel Oddenino, morta durante mergulho nas Maldivas
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Gianluca Benedetti, italiano morto nas Maldivas
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Federico Gualtieri
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Entre as vítimas estão mãe e filha: a professora universitária e bióloga de renome Monica Montefalcone e Giorgia Sommacal, de 20 anos. Os outros três mortos na tragédia no Índico foram identificadas como Muriel Oddenino, ambientalista de Turim, Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho e capitão de barco de Pádua, e Federico Gualtieri, de Borgomanero, estudante de doutorado que estava produzindo tese sobre os atóis das Maldivas.
Mergulhadores geralmente respiram ar comprimido – composto por 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio – proveniente de um cilindro, mas às vezes podem recorrer ao nitrox, que possui uma concentração maior de oxigênio. Isso pode ajudar a prolongar o tempo de permanência debaixo d'água. Micheletto, entretanto, alertou que inalar concentrações elevadas de oxigênio pode ser fatal.
Cinco turistas italianos mortos nas Maldivas
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Não foi apenas a toxicidade do oxigênio que pode ter contribuído para a tragédia nas Maldivas. O pânico também pode ter desempenhado um papel crucial, de acordo com Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica.
"Dentro de uma caverna a 50 metros de profundidade, basta um problema ou um ataque de pânico com um mergulhador. A agitação fará com que a água fique turva e pode prejudicar a visibilidade", declarou ele, acrescentando que a situação pode levar a "erros fatais".
Autoridades das Maldivas enviaram o navio da Guarda Costeira "Ghaazee" como parte da missão de resgate. Um corpo – que se acredita ser o de Monica – foi recuperado de uma caverna subaquática cerca de seis horas depois. Investigadores suspeitam que os outros quatro mergulhadores estejam no mesmo local. A operação é considerada "arriscada".
A profundidade máxima permitida para mergulho recreativo nas Maldivas é de cerca de 30 metros.
