Especialistas discutem desafios do Rio para promover uma integração metropolitana; propostas serão encaminhadas aos candidatos às eleições de outubro

 

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A integração metropolitana do Rio e os caminhos para atingir esse objetivo estiveram entre os assuntos debatidos, na noite desta segunda-feira, por especialistas durante encontro promovido pela RioAgora.org na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, no Centro. Participaram da mesa, o economista Mauro Osório, o coordenador-geral da Casa Fluminense, Vitor Mihessen, a professora da PUC-RJ e ex-secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, e o arquiteto e conselheiro da Agetransp, Vicente de Paula Loureiro. A intermediação do debate coube ao diretor executivo do projeto Eloy Oliveira.

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O encontro, que chegou a sua sexta edição, faz parte de uma série de debates promovidos pela RioAgora.org para tratar de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro. O desta segunda-feira, que teve como tema "Cidades", discutiu ainda as saídas para problemas como habitação e mobilidade. As contribuições de cada debatedor, em sua área, servirão para os organizadores do evento formatarem propostas que serão encaminhadas aos candidatos às eleições de outubro.

— Cada encontro trata de um tema específico e a ideia não é trazer diagnóstico, mas sim soluções. São propostas que a gente vai reunir e traduzir para um plano de governo para entregar aos candidatos a governador e também a deputado estadual, federal e a senador. Queremos ter isso pronto até meados de julho e pensar de maneira integrada tanto no Executivo como no Legislativo, com ideias do que dá para melhorar no estado do Rio dentro desses temas que a gente está cobrindo — explicou Guilherme Coelho, fundador do RioAgora.org.

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Vicente de Paula Loureiro abriu o debate falando as necessidades de melhoria nos sistemas de transporte público, levando em conta o longo tempo de deslocamento na região metropolitana do Rio, que pode passar de 70 minutos (mais de uma hora) no caso de um morador de Japeri, na Baixada Fluminense, que trabalha no Centro do Rio. Ele cobrou ainda instrumentos que promovam uma integração entre os modais, entre elas um bilhete único. Ela falou também da fuga de passageiros dos sistemas de transporte público, como a os trens da SuperVia, que perderam quase 50% de usuários em relação ao período anterior à pandemia.

— A perda de passageiros é um reflexo da falta de investimento e de gestão — criticou o especialista, que apontou como soluções para a mobilidade trem funcionando com intervalos de metrô, integração física, operacional e tarifária do transporte metropolitano, investimento em mobilidade verde e redução da necessidade de viagens.

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Vitor Mihessen defendeu um transporte gratuito e ecológico, com a redução da emissão de poluentes. Ele lembrou que a Casa Fluminense nasceu em 2013, num contexto de protestos contra o aumento das tarifas dos ônibus, o que faz do tema uma de suas principais bandeiras. Disse ainda que já há 157 cidades no Brasil com tarifa zero, sendo que o sistema já é universalizado em 140.

— É uma onda que está acontecendo. É uma luta da Casa também. Estamos falando de uma demanda histórica para ser colocada agora nas eleições, nesse debate que está sendo proposto. A gente tem trazido a experiência de outras cidades como Maricá, uma das mais citadas e mencionadas por conta usar os royalties (do petróleo), mas que tem também essa decisão política de investir o recurso nesse direito social básico — defendeu.

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Maína Celidonio abriu sua fala destacando também a perda expressiva de passageiros que, conforme disse, ocorre desde 2015, mas que se agravou durante a pandemia. Ele destacou ainda a falta de uma centralização na operacionalização do serviço, a necessidade de aperfeiçoamento dos contratos, de melhorias de infraestrutura e de integração tarifária.

— Acho que a principal dificuldade hoje em dia (de fazer a integração tarifária) é porque a gente tem dois sistemas de bilhetagem. Isso não seria um problema, porque várias cidades têm, mas acho que a questão é que a gente tem um sistema que não traz transparência, então é difícil fazer integração com quem não está muito arrumado, diríamos assim — criticou.

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Mauro Osório falou sobre os desafios da metrópole carioca no contexto do Estado do Rio de Janeiro e defendeu a necessidade de ampliar a reflexão regional. Durante sua fala, ele apresentou números mostrando que o Rio de Janeiro é a unidade da federal que menos cresceu desde os anos 1970.

— A desigualdade da nossa região metropolitana é brutal. Então a gente precisa estar pensando que não existe a cidade do Rio, existe a cidade metropolitana. Precisa ter um planejamento metropolitano, mas para isso precisa voltar a ter máquina pública. Hoje você não tem máquina pública estadual — disse.

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A série foi aberta em fevereiro com uma discussão sobre educação, seguida por encontros dedicados à saúde, meio ambiente, segurança pública e gestão do estado e gestão fiscal. O próximo encontro está programado para o dia 1º de junho e vai discutir Desenvolvimento Econômico e Social. Os próximos debates abordarão integridade e transparência, além de cultura. O fechamento está marcado para o dia 20 de julho, no Palácio Gustavo Capanema, no Centro.

A construção da agenda final combina os debates técnicos com especialistas e uma ouvidoria digital aberta à população, inspirada em modelos internacionais de participação pública. A iniciativa também utiliza tecnologia para organizar, cruzar e sintetizar estudos e dados validados sobre o Estado do Rio de Janeiro, estruturando recomendações com base em evidências, indicadores e caminhos de implementação.

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