Especialistas defendem que a economia sozinha não definirá o próximo presidente do Brasil

 

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A queda na popularidade do presidente Lula, puxada pelo problema no bolso do eleitor brasileiro, será um dos fatores decisivos para as eleições. No entanto, segundo especialistas, a economia por si só não será capaz de definir o próximo presidente do Brasil. A oposição de Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema já ajustou o discurso e foca no alto preço dos alimentos e endividamento.

Outros fatores, como o fim da escala 6x1, segurança pública e novas denúncias de corrupção envolvendo o Banco Master e o INSS também estão no radar das campanhas.

É fato que a sensação de que o dinheiro não rende no fim do mês virou o principal alvo dos adversários do governo. As últimas pesquisas comprovam que a queda na popularidade de Lula está associada ao bolso dos eleitores e o principal adversário na oposição, Flávio Bolsonaro, intensificou os ataques sobre o tema.

Porém, especialistas dizem que, embora a economia tenha um peso importante, não vai definir sozinha o vencedor das eleições deste ano.

'Menos economês e mais português'

Segundo aliados de Flávio Bolsonaro, a ordem na campanha é usar "menos economês e mais português", para focar nos problemas reais das famílias, como o preço da cesta básica e o alto endividamento. O plano de governo prevê uma cartilha liberal: corte de gastos, redução de impostos e privatizações, incluindo a dos Correios.

Outros nomes da direita seguem a mesma cartilha. Romeu Zema foca o discurso no combate à "gastança" do governo federal, prometendo medidas para reduzir juros e recuperar o poder de compra. Ronaldo Caiado também prepara ofensivas na economia, embora o tema da segurança seja a sua grande aposta até para resolver o problema financeiro.

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A estratégia faz sentido para a ciência política, mas para vencer a eleição não basta só economia. Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, destaca que eleições com tentativa de reeleição funcionam como um plebiscito. E o chamado "voto econômico" vai pesar, porque, apesar de o país gerar empregos, controlar relativamente a inflação e ter renda, a população não consegue consumir como antes.

“Acho que em toda eleição se destaca a questão econômica. Você pode ter, talvez como foi em 2018, a questão da corrupção evidente, depois do que foi a Lava Jato. Ou você pode ter a questão institucional, como foi marcado na eleição de 2022. Mas ao que tudo indica, e logicamente aqui será um argumento evidente e claro de Flávio Bolsonaro, que tentará entrar nessa linha de prejudicar o plebiscito do Lula, destacando os problemas que o Lula tem. E o principal problema que o Lula tem hoje é o econômico”.

Escala 6x1

O cientista político André Rosa, da Universidade de Brasília, ressalta que o eleitor é movido por um conjunto de fatores. Ele avalia que Flávio Bolsonaro ainda vive uma fase de "lua de mel" nas pesquisas, sem sofrer ataques pesados do PT sobre seu calcanhar de Aquiles, como o caso das rachadinhas e o tarifaço dos Estados Unidos aos produtos brasileiros, que foram cavados pelo irmão Eduardo Bolsonaro.

Além disso, o governo Lula ainda pode reverter o desgaste adotando pautas de forte apelo popular, a exemplo do fim da escala de trabalho 6x1.

“O que define a eleição é um conjunto de vários elementos. Então envolve economia, aspectos ideológicos, fatores de curto prazo, alguns atalhos informacionais, que é aquele eleitor que não sabe quem vai votar e ele vai e pergunta para um coleguinha que ele tem um pouco mais de familiaridade. Mas, no final das contas, o que o eleitor vai pensar mais em termos de intensidade de variável é o voto econômico. Porque é aquele eleitor que vai fazer as compras no dia a dia, ele viu como está difícil, e isso gera uma falta de expectativa. E essa falta de expectativa faz com que ele tenda a mudar o voto”.

O cenário traz outros pontos decisivos. Para o cientista político Murilo Medeiros, da UnB, é cedo para afirmar que a economia vai decidir a eleição. Ainda, a violência e os recentes escândalos de corrupção envolvendo o INSS e o Banco Master, com delações pela frente, aprofundam a erosão da confiança pública nas instituições e elevam a incerteza do quadro eleitoral.

“Esse clima conflagrado das investigações representa elevada incerteza para o cenário eleitoral, capaz de deslocar o tema central da economia para outras agendas, como a moralidade, discursos a favor de ordem e em defesa da ética pública”.