Especialistas britânicos comparam uso de redes sociais ao tabagismo para saúde de crianças

Especialistas britânicos comparam uso de redes sociais ao tabagismo para saúde de crianças

 

Fonte: Bandeira



Médicos ingleses equipararam as redes sociais ao tabagismo em termos de danos à saúde de crianças. A Academia das Faculdades Reais de Medicina (The Academy of Medical Royal Colleges) detalhou os impactos das mídias em crianças, em um documento enviado à consulta do governo sobre a proteção infantil online.

Mais da metade dos 132 médicos ouvidos observaram ao menos um caso de prejuízo à saúde que pode ser relacionado ao uso de tecnologia e dispositivos semanalmente. Mais de um terço constatou o prejuízo quanto ao uso mais de uma vez por semana.

Dentre os malefícios estão lesões físicas, causadas pela reprodução de ator de pronografia extrema, e até impactos na saúde mental, como traumas decorrentes de ver violência online.

Para a entidade, que representa as 23 faculdades e colégios reais de medicina do Reino Unido e da Irlanda, “o tema equipara-se ao tabagismo e ao uso de cintos de segurança em veículos”.

Restrição do acesso de crianças às redes sociais

O Reino Unido está considerando restringir o acesso de crianças às redes sociais. Discute-se uma possível proibição para menores de 16 anos, além de tempo de uso limite para aplicativos e medidas de controle para o que foi descrito como “recursos de design viciantes”.

Outros países já adotaram medidas de restrição das plataformas para os mais jovens. Em 2025, a Austrália se tornou o primeiro país a banir totalmente as redes sociais para jovens com menos de 16 anos. Alguns países europeus cogitam seguir os mesmos caminhos.

“A questão não é se vamos agir; nós vamos, quer seja por meio de uma proibição das redes sociais para menores de 16 anos ou de restrições a recursos e funções essenciais", destacou a Secretária de Estado da Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido à BBC News.

Segurança digital no Brasil

No Brasil, a segurança infantil digital ganhou força em março deste ano com a implementação do ECA Digital. A medida estabeleceu novas regras para a atuação de plataformas digitais no país e ampliou a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. A legislação impõe novas obrigações às empresas, desde a forma como aplicativos são desenhados até a moderação de conteúdo e a verificação de idade dos usuários.

Outro ponto central da legislação é a responsabilização mais direta das empresas na moderação de conteúdo. Conteúdos que violem direitos de crianças e adolescentes devem ser retirados rapidamente, sem necessidade de ordem judicial.

Além disso, as plataformas passam a ter obrigação de notificar autoridades em casos de crimes graves, como abuso sexual ou situações que coloquem em risco a vida de menores.

Para os responsáveis, a lei trouxe uma nova ferramenta: a supervisão parental. As plataformas devem oferecer painéis de controle que permitam monitorar e limitar o uso por crianças e adolescentes, incluindo tempo de tela, interações e tipos de conteúdo.