Espanha abre investigação contra grupos criminosos que teriam arquitetado entrada em massa de imigrantes - QTU Questões do Universo

Espanha abre investigação contra grupos criminosos que teriam arquitetado entrada em massa de imigrantes

Fonte: Bandeira da fonte

O governo espanhol anunciou que abriu uma investigação sobre grupos criminosos por trás da crise migratória, com a entrada de cerca de 100 mil imigrantes em Ceuta, enclave da Espanha na África.
O premiê, Pedro Sanchez, afirmou que por causa de mentiras difundidas nas redes sociais e grupos de tráfico humano que ocorreu a entrada em massa.
Em meio a isso, o governo marroquino afirmou que 25 pessoas são julgadas por supostamente organizarem viagens irregulares.
A situação ocorre no dia em que representantes de países da União Europeia vão se reunir em um encontro de emergência para debater a crise migratória em Ceuta.
A União Europeia anunciou que vai ajudar a Espanha a reforçar o controle de suas fronteiras.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a importância de proteger os pontos mais críticos do continente e marcou uma reunião de emergência com os países membros para debater medidas de assistência.
De acordo com balanço das autoridades espanholas, cerca de sessenta e nove mil pessoas já retornaram voluntariamente ao Marrocos.

No entanto, mais de três mil imigrantes continuam no território espanhol, incluindo mais de oitocentos menores de idade desacompanhados, que enfrentam condições precárias de abrigo e alimentação nas praias da cidade.
O governo da Espanha negou ter recebido alertas prévios de inteligência sobre as convocações que circularam nas redes sociais estimulando a travessia do grupo.

Nas reuniões com os aliados europeus, Madri pretende solicitar solidariedade aos demais países do bloco e criticar a utilização política e diplomática do fluxo migratório.
Prefeito de Ceuta acusa Marrocos por entrada em massa de imigrantes: 'incentivado ou permitido'
Imigrantes ilegais saem de Ceuta após retirada do governo espanhol.
Henry NICHOLLS / AFP
O prefeito de Ceuta, enclave espanhol na África, Juan Jesús Vivas, afirmou que a entrada em massa de imigrantes no local é um ataque à integridade territorial da Espanha, que foi visto como sendo 'se não orquestrado, pelo menos incentivado ou permitido por Marrocos'.
O Ministério do Interior da Espanha informou no final da semana passada que quase 50 mil pessoas que chegaram a Ceuta foram enviadas de volta para Marrocos.
O fluxo extraordinário sobrecarregou a cidade de 84 mil habitantes e desencadeou uma crise política em toda a União Europeia, com alguns Estados-membros culpando a Espanha.
'É uma atrocidade.
Há 88 corpos no necrotério e mais do outro lado da fronteira', declarou Vivas ao jornal El País.
'As pessoas não veem isso como uma crise migratória; foi fundamentalmente um ataque, uma violação da integridade territorial da Espanha.
As pessoas sentiram que isso, se não foi orquestrado, foi pelo menos incentivado ou permitido por Marrocos', continuou.
Ele traçou um paralelo com maio de 2021, quando Rabat afrouxou os controles de fronteira, permitindo que 10 mil pessoas cruzassem para Ceuta ao longo de dois dias, durante um impasse diplomático sobre a decisão de Madri de permitir que um líder independentista do Saara Ocidental fosse tratado da Covid-19 na Espanha.
A insinuação de envolvimento marroquino pareceu ser corroborada pela avaliação preliminar dos serviços de inteligência espanhóis, que mencionaram suspeitas de que o fluxo migratório não havia sido planejado pelas autoridades marroquinas, mas concluíram que Marrocos não conseguiu conter a onda de pessoas que se dirigiam para a fronteira e, em alguns casos, até facilitou sua passagem.
Fontes de inteligência disseram ao El País que a origem do fluxo migratório provavelmente reside em um boato que se espalhou rapidamente pelas redes sociais após uma decisão do Supremo Tribunal espanhol que impedia a deportação sumária de migrantes que chegassem por mar.
À medida que o boato ganhava força online, a vigilância nas fronteiras marroquinas foi reduzida ao mínimo até ser completamente suspensa no final da semana passada, permitindo a entrada de dezenas de milhares de pessoas.
Imigrantes entram em enclave espanhol na África, Ceuta.
Reprodução/Redes Sociais