Espaço onde funcionou antigo Hospital Colônia de Barbacena é fechado nesta segunda, depois de mais de 120 anos

Espaço onde funcionou antigo Hospital Colônia de Barbacena é fechado nesta segunda, depois de mais de 120 anos

 

Fonte: Bandeira



Os últimos 14 pacientes que ainda moravam no espaço onde funcionou o antigo manicômio Hospital Colônia de Barbacena, na região do Campo das Vertentes, no interior de Minas Gerais, foram transferidos para unidades de saúde do município. Depois de mais de um século, o espaço foi oficialmente fechado.

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O antigo Hospital Colônia foi fundado em 1903 e foi o maior manicômio do Brasil. Símbolo de graves violações de direitos humanos, estima-se que 60.000 pessoas morreram no local. A estrutura das últimas residências será integrada ao serviço do Hospital Geral de Barbacena, inaugurado em 2005.

Durante mais de sete décadas, pacientes eram internados compulsoriamente e expostos a situações desumanas. Apenas 30% deles tinham diagnósticos de doença mental. Os outros 70% eram homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios, como síndrome de Down, autismo e dislexia.

Além de condições insalubres, no espaço, planejado para 200 pessoas e que já abrigou ao mesmo tempo cinco mil pessoas, os pacientes eram submetidos a tratamentos psiquiátricos brutais e sem respaldo científico, como choques e lobotomias.

Denúncias

Em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia, em visita ao Hospital, fez uma denúncia da situação desumana do local.

O primeiro jornalista que entrou no Hospital, Hiram Firmino, autor do livro "Nos Porões da Loucura", disse à CBN que após a denúncia do psiquiatra italiano, movimentos brasileiros e das reportagens que passaram a ser feitas, as práticas do hospital passaram a ser questionadas:

"A sociedade passou a ver isso. Eu, por exemplo, tenho uma bisavó que morreu em Barbacena, porque era comum a pessoa ir para Barbacena e não voltar. Então, houve uma revolta da opinião pública, mas houve também uma revolta interna. A princípio, as enfermeiras e os médicos que trabalharam nos hospitais ficaram furiosos com as reportagens. Virou uma revolta interna positiva, o que levou o próprio governo do Estado a não só liberar, mas acabar mesmo com aquele tipo de tratamento", contou.

A partir disso, somado ao movimento pela reforma psiquiátrica no brasil, o hospital passou por uma reforma e deixou de ser uma unidade psiquiátrica.

Os horrores do Hospital de Barbacena foram denunciados em reportagens, documentários, como "Em Nome da Razão" (1979), do cineasta Helvécio Ratton, e livros, como "O Holocausto Brasileiro", da jornalista Daniela Arbex.