Esgotamento sanitário avança pouco e segue como desafio no Pará, aponta IBGE

 

Fonte:


O acesso ao esgotamento sanitário continua sendo um dos principais gargalos estruturais no Pará, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2025, divulgada nesta sexta-feira (17), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de avanços em áreas como energia elétrica, coleta de lixo e presença de banheiro nos domicílios, o indicador relacionado ao saneamento básico praticamente não evoluiu nos últimos anos.


De acordo com o levantamento, apenas 18,4% dos domicílios paraenses contam com ligação à rede geral de esgoto, rede pluvial ou fossa séptica conectada à rede. O número representa uma variação mínima em relação a 2019, quando o índice era de 17,4%, evidenciando estagnação no período.


O cenário é ainda mais preocupante quando comparado à média nacional: em 2025, 69,7% dos domicílios brasileiros tinham acesso a essas formas de esgotamento sanitário, um percentual quase quatro vezes maior que o registrado no estado.


Nas áreas urbanas do Pará, o avanço também foi tímido. A cobertura passou de 22,9% para 24,2%, permanecendo muito abaixo dos índices nacionais, que variaram de 75% para 78% no mesmo período.


Os dados reforçam que, apesar de melhorias pontuais em infraestrutura habitacional, o saneamento básico segue como um desafio estrutural, com impacto direto na qualidade de vida e nas condições de saúde da população.


Por outro lado, a pesquisa mostra avanços em outros indicadores. A presença de banheiro de uso exclusivo, por exemplo, cresceu no estado, passando de 86,6% em 2017 para 90,6% em 2025, com destaque para a evolução nas áreas rurais, onde o índice subiu de 64,7% para 71,3%.


A coleta de lixo também apresentou melhora nas áreas urbanas, atingindo 94,6% dos moradores em 2025, enquanto o abastecimento de energia elétrica se aproxima da universalização, alcançando 99,6% da população.


Além disso, o levantamento revela transformações no perfil habitacional e demográfico do estado. A população paraense chegou a 8,6 milhões de pessoas em 2025, com crescimento de 10,5% desde 2012 e tendência de envelhecimento, acompanhando o cenário nacional.


Também houve aumento no número de domicílios unipessoais, que passaram de 8,5% para 13,4% no período, além do crescimento expressivo de apartamentos, cujo número aumentou 90,8% entre 2016 e 2025, embora as casas ainda sejam predominantes.


Outro destaque é a ampliação do número de imóveis alugados, que cresceram 72,8% desde 2016, indicando mudanças no padrão de ocupação urbana.