Os investidores esperam que Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve (Fed), esclareça sua visão sobre como o banco central dos Estados Unidos deve reagir à inflação persistente.
A pergunta que não quer calar é se o Fed vai aumentar os juros em setembro para combater a alta de preços ou seguir a missão que Donald Trump deu a Warsh quando o indicou para o cargo: baixar.
Até agora, o Fed de Warsh joga parado.
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Os mercados financeiros dos EUA e de todo o mundo estão ansiosos pelo momento em que o enigmático Warsh discursará, na próxima sexta-feira, no encontro anual de Jackson Hole, no Wyoming, tradicional convescote de banqueiros centrais de todo o mundo.
Mas não está totalmente claro se ele fará isso que os analistas esperam.
Presidente Trump conversa com o novo presidente do BC americano, Kevin Warsh, em sua cerimônia de posse para comandar o Fed
Anna Moneymaker/Getty Images via AFP
A estratégia de comunicação do presidente do Fed teve um início turbulento.
Após a reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) de julho, Warsh deu poucas indicações sobre sua avaliação da economia e evitou oferecer sinalizações sobre a trajetória futura dos juros.
Os investidores interpretaram suas declarações como uma demonstração de pouca determinação em levar a inflação de volta à meta, e os rendimentos dos títulos de longo prazo posteriormente subiram para o maior nível em duas décadas.
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Pela primeira vez como chefe do principal banco central do mundo, Warsh fará o discurso de abertura do Simpósio Anual de Política Econômica do Fed de Kansas City.
Com os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) ainda elevados pela inflação resistente e pelas preocupações com o déficit fiscal, ele está sob pressão para agir de maneira mais parecida com seus antecessores e dar indicações mais claras sobre como o Fed poderá reagir ao longo do restante do ano.
Só que isso vai contra princípios que ele já deixou claro no início de sua gestão, há poucos meses.
Com cinco grupos de trabalho criados por Warsh analisando atualmente aspectos importantes do funcionamento interno do Fed — entre eles um dedicado à comunicação —, o presidente pode simplesmente reiterar seu compromisso com a estabilidade de preços e evitar explicar como o banco central pretende alcançá-la.
Analistas tentam prever
“Warsh enfrenta uma escolha: deve aproveitar essa oportunidade de grande visibilidade para tranquilizar os mercados de que o Fed tem um plano para reduzir a inflação — algo que ele não conseguiu fazer bem em sua entrevista coletiva após a reunião de julho do Fomc? Ou deve reforçar sua cruzada para reduzir as sinalizações sobre a trajetória futura da política monetária e evitar dar qualquer indicação sobre os fatores que orientam as decisões do Fed?", analisaram as especialistas da Bloomberg Intelligence Anna Wong, Eliza Winger e Troy Durie.
"Esperamos a segunda opção, com Warsh se concentrando mais em descrever a estrutura conceitual das reformas que pretende implementar no Fed", elas respondem.
"Ele provavelmente citará evidências de que as sinalizações futuras reduziram a flexibilidade da política monetária e tornaram menos claros os sinais emitidos pelos mercados."
Clima em favor de alta
Em entrevista no domingo ao programa "Face the Nation", da CBS, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari — um dos três dirigentes do Fed que defenderam uma alta dos juros na reunião do mês passado do Fomc — destacou sua preocupação com a possibilidade de a inflação permanecer elevada, mas evitou dizer que voltaria a defender uma elevação da taxa em setembro.
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Bloomberg
— Precisamos ver mais dados, mas não quero antecipar meu julgamento sobre a próxima reunião — afirmou.
— Mas, neste momento, não estou confiante de que a inflação esteja voltando para a meta em um período curto de tempo.
Preços começam a perder força
Dados mais recentes mostraram que a inflação, embora ainda acima da meta de 2% do Fed, pode estar começando a perder força.
Na quarta-feira, o governo divulgará o mais recente índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), indicador de inflação preferido do Fed.
Economistas estimam que o índice de preços PCE tenha subido 3,6% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Embora isso represente a menor alta anual em quatro meses, os preços do petróleo voltaram a subir neste mês à medida que a guerra no Irã se prolonga.
O mesmo relatório deve mostrar pouca alteração nos gastos pessoais ajustados pela inflação.
Entre os outros indicadores econômicos previstos para a próxima semana estão a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, na quarta-feira, e as vendas de imóveis residenciais novos em julho, na terça-feira.
Na sexta-feira, o Escritório de Estatísticas de Trabalho (BLS na sigla em inglês), órgão responsável pelas estatísticas do mercado de trabalho americano, divulgará sua revisão preliminar de referência dos dados de emprego referentes ao período de 12 meses encerrado em março.
