Escultura de Constantin Brancusi se torna a segunda mais cara da história a ser vendida em leilão
Uma escultura "Danaide", de Constantin Brancusi, vendida na segunda-feira por US$ 107,6 milhões, se tornou a segunda escultura mais cara da história, alterando uma lista dominada por obras de Alberto Giacometti, segundo um banco de dados da AFP.
Antes desta venda, as três esculturas mais caras da história eram todas obras do artista suíço Giacometti. A partir de agora, apenas "Homem Apontando" ("L'homme au doigt"), vendida por US$ 141,3 milhões na Christie's de Nova York em 2015, supera "Danaide", de Brancusi. Outra obra de Giacometti, "Homem Caminhando I" ("L'homme qui marche I"), ocupa o terceiro lugar, com US$ 104,3 milhões.
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Margit Pogany, uma jovem artista húngara que Brancusi conheceu em 1910 em Paris, onde o escultor franco-romeno (1876-1957) tinha seu ateliê, emprestou seu rosto para a escultura "Danaide". Trata-se de um rosto estilizado coberto com folha de ouro, com olhos formados por amplos arcos de círculos.
"O ouro reservado para o rosto e a pátina negra do cabelo conferem às feições uma elegância meditativa e um refinamento semelhante à arte budista do Extremo Oriente, que Brancusi admirava", explica Marielle Tabart, especialista na obra do escultor, citada no site do Centro Pompidou.
Segundo o museu parisiense, que possui um exemplar idêntico à escultura vendida na segunda-feira, Brancusi produziu várias fundições em bronze de sua "Danaide" entre 1913 e 1918. Outros exemplares estão em exibição em instituições como a Tate, em Londres, o Kunstmuseum Winterthur, perto de Zurique, e o Museu de Arte da Filadélfia.
Segundo a Christie's, a réplica vendida na segunda-feira era a única versão dourada restante em mãos privadas. Fundida em 1913, a obra foi adquirida pelo banqueiro Eugene Meyer e sua esposa Agnes, mecenas e amigos de Brancusi, durante a primeira exposição individual do artista em Nova York, em 1914. A obra permaneceu na família até 2002, quando foi adquirida pelo magnata da mídia S. I. Newhouse Jr.
Com o valor de US$ 18,2 milhões, a escultura tornou-se, na época, a mais cara já vendida em leilão. Na segunda-feira, a obra foi arrematada por um comprador anônimo que fez lances por telefone.
