O ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro foi levado sob escolta para votar na manhã deste domingo. Preso preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, ele foi levado de viatura por um curto trajeto até o complexo prisional da Papuda, onde foi instalada uma urna para os detentos votarem.
Policiais penais foram mobilizados para fazer a segurança do percurso. Além de Vorcaro, votaram na seção 0420 outros cerca de 180 presos que respondem pelos mais variados crimes, de tráfico de drogas a abuso sexual. Vorcaro transferiu o local de votação e fez o voto em trânsito, que é restrito à escolha do presidente. Na viatura, estavam Vorcaro, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e outras três pessoas. Alvo da Polícia Federal na apuração sobre descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões do INSS, Stefanutto está em uma cela no 19º Batalhão, assim como Vorcaro, que é investigado no inquérito sobre as fraudes bilionárias do Banco Master.
A Constituição garante o direito ao voto de presos provisórios — sem condenação criminal definitiva, como é o caso de Vorcaro, que está detido desde março. Não é a mesma situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que não pode votar por ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista e, por isso, teve os direitos políticos suspensos. O 19º Batalhão é conhecido como Papudinha por ficar numa área de segurança máxima bem próxima ao Complexo da Papuda, que reúne unidades de presos provisórios e definitivos.
Vorcaro se juntou hoje aos cerca de 13 mil presos provisórios que votaram nas eleições de 2026. De acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada seção instalada nas unidades penitenciárias deve conter no mínimo 20 eleitores aptos a votar.
O Globo