Escoliose: entenda como a condição pode surgir e passar despercebida
A escoliose costuma entrar na vida das famílias de forma silenciosa, geralmente durante a infância ou a adolescência, período em que o corpo passa por rápidas transformações. Em muitos casos, a alteração na curvatura da coluna só é percebida quando sinais discretos começam a aparecer no espelho ou no dia a dia, como assimetrias no ombro, na cintura ou na forma como as roupas caem no corpo.
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O tema ganhou mais visibilidade nos últimos anos também a partir de relatos de figuras públicas que conviveram com a condição ainda jovens. Casos como o da ginasta Simone Biles e do velocista Usain Bolt ajudaram a ampliar a conversa sobre escoliose fora do ambiente médico, ao mostrar que o diagnóstico não necessariamente limita o desenvolvimento ou a prática esportiva.
Ainda assim, no cotidiano, a condição segue cercada de dúvidas e, muitas vezes, passa despercebida dentro de casa. Como não costuma causar dor no início, a escoliose pode evoluir de forma gradual, o que reforça a importância da observação durante o crescimento e da atenção a mudanças sutis na postura.
O cirurgião de coluna Carlos Barsotti, do Hospital Sírio-Libanês e da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a escoliose é mais facilmente identificada em fases de crescimento acelerado. "A escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna que costuma surgir durante o estirão de crescimento. No início, ela pode ser bastante discreta e por isso passa despercebida no ambiente familiar", afirma.
Segundo o médico, a ausência de dor também contribui para o diagnóstico tardio em muitos casos. "Na maioria das vezes, o adolescente não sente dor, o que faz com que os primeiros sinais sejam visuais, como assimetrias no tronco ou nos ombros", diz.
Diante desses sinais, a observação no dia a dia se torna um ponto importante. "Pequenas diferenças na altura dos ombros, da cintura ou na forma como o corpo se projeta para um dos lados podem ser indicativos da condição e merecem avaliação", orienta Barsotti.
A escoliose em adolescentes, na maior parte dos casos, é classificada como idiopática, ou seja, não possui uma causa única definida. Estudos apontam que fatores genéticos podem estar envolvidos, o que ajuda a explicar a presença de casos em diferentes membros da mesma família.
O diagnóstico é feito a partir de exame clínico e pode ser complementado por exames de imagem. "A avaliação médica e a radiografia são fundamentais para confirmar o grau da curvatura e definir a conduta mais adequada", destaca o especialista.
O tratamento varia de acordo com a gravidade da curvatura e a fase de crescimento. Em quadros leves, o acompanhamento periódico costuma ser suficiente. Em situações intermediárias, o uso de colete pode ser indicado para tentar evitar a progressão. Já nos casos mais avançados, a cirurgia pode ser considerada, com técnicas modernas que permitem maior precisão e segurança.
Apesar das diferentes abordagens, o especialista reforça a importância do diagnóstico precoce: "Identificar a escoliose no início faz toda a diferença na evolução do quadro e amplia as possibilidades de tratamento com menos intervenções."
Dr. Carlos Barsotti alerta para sinais discretos da escoliose durante a fase de crescimento
Divulgação
Com acompanhamento adequado, a maioria dos adolescentes com escoliose consegue manter rotina normal, incluindo atividades físicas, sem restrições significativas. Para as famílias, a orientação é observar mudanças posturais, buscar avaliação quando necessário e manter o acompanhamento ao longo do crescimento.
