Escolas públicas de Petrópolis ganham projetos de educação 'mão na massa'
Uma escola mão na massa. O bairro Alto da Independência, em Petrópolis, virou palco de uma experiência educacional que foge do formato tradicional de sala de aula. Com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da ONU, quatro escolas públicas começam a testar um modelo de ensino que mistura sustentabilidade, criação de conteúdo e cultura digital.
A iniciativa, que começou pela Escola Municipal Alto da Independência e segue CIEP 038 Santos Dumont, deseja alcançar 1.800 alunos do ensino fundamental ao médio em quatro unidades, duas dela ainda a serem estabelecidas.
Na prática, o projeto se divide em três frentes focadas em ação dentro do currículo escolar. O Desafio Verde busca resolver problemas socioambientais do próprio bairro; o Vozes do Alto incentiva a produção de conteúdo a partir de percepções locais; e a Arquitetura de Games usa a linguagem dos jogos para trabalhar o campo tecnológico, criatividade, design, estratégia, narrativa e trabalho em equipe.
— Queremos ampliar perspectivas sobre temas normalmente estigmatizados. Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais — diz Victor Prado, desenvolvedor de tecnologias educacionais e idealizador do projeto.
Petrópolis é um polo econômico da Região Serrana e reúne tradição educacional, força turística e vocação tecnológica, o que contribuiu para que o projeto fosse instalado na cidade, que em 2025 foi declarada Capital Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro.
Para quem vive a escola no dia a dia, a mudança na dinâmica quebra a lógica do estudante que apenas recebe conteúdo didático. O diretor da escola pioneira no projeto aponta que o jovem passa a ser produtor de conteúdo e destaca o impacto direto dessa nova abordagem.
— Vejo a implementação desses projetos como uma grande oportunidade de fazer a escola dialogar ainda mais com a realidade, os sonhos e as potências dos nossos alunos — diz o diretor da Escola Municipal Alto da Independência, Carlos Magno.
Essa movimentação no interior fluminense é um reflexo do que os estudantes brasileiros desejam. Uma pesquisa nacional recente do MEC com 2,3 milhões de adolescentes apontou que quatro em cada dez alunos consideram aulas práticas e o uso de mídias digitais como prioridades absolutas para a educação. O que está acontecendo no Alto da Independência pode ser um caminho para tirar do papel a “escola do futuro” que os estudantes demandam.
