Escolas proíbem troca de figurinhas do álbum da Copa: medida divide opiniões

 

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Já é tradição: toda Copa do Mundo traz consigo o famoso álbum de figurinhas das seleções e a prática de trocar as figurinhas para conseguir completá-lo. Dessa vez, com o aumento de 32 para 48 seleções, conseguir todos os cromos ficou ainda mais difícil, tornando a troca figura central da experiência.

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Algumas escolas têm relatado, porém, que a prática vem atrapalhando o projeto pedagógico. No Rio, duas escolas da Zona Sudoeste já orientaram seus funcionários sobre não permitir a troca em sala de aula — em uma delas, quem é pego tem seu “bolo” confiscado e só pode pegar de novo na hora da saída.

Na quarta-feira, o blog do Ancelmo Gois publicou um comunicado interno do Marista São José, também na Zona Sudoeste. Lá, só será permitida a troca durante o intervalo.

Imagem divulgada pela coluna do Ancelmo Gois

Reprodução

Já em outro colégio da Barra da Tijuca, um comunicado enviado aos pais e compartilhado com o EXTRA fala que a direção reconhece que a prática favorece a socialização, mas “temos observado que a dinâmica das trocas durante o período escolar tem interferido nas atividades pedagógicas e gerado situações de frustração e conflitos”. A escola pediu que as famílias não deixem que os filhos levem álbuns e figurinhas para a escola: “Contamos com a compreensão e parceria de todos”.

Em Minas Gerais, uma escola estadual foi mais taxativa: decidiu proibir a troca de figurinhas em qualquer momento; em uma postagem no Instagram, a direção da Escola Estadual Coronel João Ferreira em Pará de Minas afirma: “Esses itens não constituem material escolar e a prática de trocas tem gerado conflitos e dispersão dos estudantes”.

“A escola não se responsabiliza por perda, dano ou extravio desses materiais”.

Outra, no Distrito Federal, nota que as figurinhas abrem espaço para possíveis conflitos gerados por trocas consideradas “injustas”, comércio “ilegal” de figurinhas — envolvendo dinheiro de verdade — e o desaparecimento — ou roubo — dos cromos.

No entanto, a instituição nota que os professores podem utilizar as figurinhas como recurso pedagógico. O mesmo acontece em uma unidade do colégio Pedro II, em que o álbum da Copa do Mundo já é usado para fins pedagógicos.

A situação divide pais e escolas: alguns são favoráveis à proibição visto que, segundo as direções, as trocas atrapalham as aulas; outros são contra a proibição completa, uma vez que acreditam que a troca poderia ser incluída no projeto pedagógico da escola. Especialistas ressaltam que a prática pode auxiliar, por exemplo, no aprendizado de geografia, matemática, de negociação, e ajuda na interação com os pares e a resolver conflitos.

Em matéria publicada nesta sexta-feira na revista Crescer, a psicóloga e doutora em psicanálise Carolina Nassau Ribeiro defendeu que a troca de figurinhas desempenha um papel fundamental no convívio e na saúde mental de crianças e adolescentes. "Os jovens estão precisando de encontros presenciais e de trocas. A febre do álbum não se relaciona apenas à paixão pelo futebol, mas também implica em pertencer a algo, em ter um projeto compartilhado e ser reconhecido por um grupo", afirmou a especialista, que também é autora do livro "Suicídio na Adolescência: uma abordagem psicanalítica".