Escolas do Rio recebem Bienal do Livro em edição inédita para promover leitura entre os jovens
A Bienal do Livro Rio antecipou o caléndário para uma edição inédita com o objetivo de incentivar a leitura entre os jovens cariocas. O evento oficial está marcado para 2027, mas escolas do Rio já estão recebendo a visita do festival e, pela primeira vez, o projeto Bienal nas Escolas ganha uma temporada independente, para formar leitores e levar o universo literário diretamente a alunos da rede pública. Pelo menos cinco escolas serão visitadas, beneficiando cerca de mil alunos de 6 a 10 anos.
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A iniciativa, que nasceu em 2019 para extrapolar os pavilhões do Riocentro. Nesta edição, a primeira parada foi nesta sexta-feira, na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Osvaldo Cruz, na Zona Norte. Inspirado pelo clima da Copa do Mundo, o tema das visitas é “Livros mudam o jogo”, e a primeira convidada foi a escritora Kiusam de Oliveira. Referência em literatura afrodidática, ela reforça a importância da representatividade, da educação e do incentivo ao imaginário desde a infância:
— Foi um encontro muito potente, especialmente porque reconheço as histórias e as vivências desses estudantes. Sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e trago essa trajetória para dentro da minha escrita. Para mim, tudo começa com a leitura do mundo, antes mesmo da leitura das palavras. É isso que me move como educadora e como escritora. Quando a criança se vê, quando ela se reconhece, ela entende que pode sonhar, que pode transformar a própria realidade. E é esse o meu compromisso: escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se reconheçam como potentes — diz.
Além do encontro com os autores, mediadores desenvolvem dinâmicas com os alunos para estimular a escuta, a imaginação e a construção de repertório literário de forma leve e interativa. As visitas são uma parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a GL events Exhibitions. Cada escola vai receber 100 livros para as bibliotecas e salas de leitura.
Para a diretora da escola, Aline de Abreu Cardoso Lopes, a iniciativa chega para potencializar um trabalho que já faz parte da rotina dos alunos:
— É de suma importância, porque nós sempre trabalhamos projetos de literatura. Temos piquenique literário, produções de livros, corredor da leitura, estantes em todas as salas. Então, trazer a Bienal para a escola é uma outra forma deles verem o livro, de um jeito lúdico, como foi hoje. Eles ficam ansiosos, pesquisam sobre a autora, pedem novos livros e buscam ainda mais leitura — conta ela.
A experiência também impacta diretamente os estudantes, como conta a aluna Lara Braga, de 10 anos:
— A escritora contou partes de seus livros e ensinou histórias. Tem dois livros dela que eu gosto muito, “Com qual penteado eu vou” e “Tayó em quadrinhos”. Gosto porque eles falam de coisas importantes, como o respeito com o cabelo e com a cor da pele. Ler faz a gente sair um pouco das telas e ir para outros lugares. Acho que ajuda na imaginação e faz a gente aprender mais para o futuro — afirma a menina.
O tema “Livros mudam o jogo” propõe uma aproximação simbólica entre futebol e literatura, em que autores são tratados como artilheiros e cada leitura representa uma jogada capaz de transformar trajetórias. A proposta reforça a ideia de que o livro pode ocupar um espaço de protagonismo no cotidiano dos estudantes, aproximando o universo literário de uma linguagem familiar e acessível.
Cada aluno participante recebe um álbum de figurinha desenvolvido especialmente para o projeto. Nele, personagens clássicos da literatura mundial compõem uma Seleção Literária que conta com Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan, entre outros. As crianças vão poder trocar figurinhas e completar o álbum, criando uma relação lúdica com as histórias e ampliando o contato com diferentes referências literárias.
— A brincadeira com o futebol ajuda a traduzir a ideia de pertencimento. Quando os personagens entram em campo, a leitura deixa de ser algo distante e passa a fazer parte do imaginário das crianças de forma natural e divertida — explica a curadora do projeto Bienal nas Escolas, a jornalista e pedagoga Carol Sanches.
Projeto faz aumentar busca por livros nas escolas
Em 2025, a Bienal nas Escolas percorreu 11 colégios das redes municipal e estadual, reunindo mais de 2 mil alunos e provocando um aumento de 25% na busca por livros em bibliotecas das unidades participantes. Entre os autores que participaram da edição de 2025, nomes como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França estiveram presentes em escolas da capital e da Baixada Fluminense, contribuindo para uma programação marcada pela diversidade de estilos e linguagens
— Quando a literatura entra na escola de forma viva e lúdica, ela cria vínculos duradouros. O aumento na procura por livros nas bibliotecas mostra que esse encontro desperta curiosidade e amplia o desejo de ler, o que é essencial para a formação de novos leitores — destaca Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL events Exhibitions.
Ao unir experiência, acesso e continuidade, o projeto reforça seu papel na formação de novos leitores, como destaca o presidente do SNEL, Dante Cid:
— A leitura tem o poder de transformar trajetórias, e iniciativas como o Bienal nas Escolas mostram que, quando ampliamos o acesso e criamos conexão, o livro realmente entra em campo e muda o jogo na vida dos estudantes — diz.
