Escolas cívico-militares: 100 unidades estaduais de SP passam a funcionar com novo modelo

 

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Nesta segunda-feira (2), 3,1 milhões de estudantes retornam às escolas estaduais de São Paulo. Neste ano, 100 unidades da rede, em 89 municípios, passam a adotar o modelo cívico-militar, uma novidade para o ensino estadual.

A CBN acompanhou a cerimônia na quadra da Escola Estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, Zona Sul da cidade.

100 escolas estaduais de SP adotam modelo cívico-militar em 2026 - Klauson Dutra/CBN

A modalidade cívico-militar deve atender cerca de 53 mil alunos, cerca de 1,5% dos mais de 3 milhões de estudantes da rede estadual paulista que retornam nesta segunda-feira (02) às aulas. Na escola Lourenço Filho, que atende do 6º ao 9º ano do ensino fundamental em período integral, são pouco mais de 300 alunos.

Dolores Bispo é mãe de uma aluna de 13 anos e falou sobre a expectativa com a mudança:

"Para mim está sendo ótimo, porque as crianças precisam de um pouco de limite, regras e experiência. Como é que foi a novidade para ele? Ele não gostou muito, por conta do cabelo. Então, eles vão ficar no pátio, se posicionar na fila e cantar o hino nacional. Eu achei bacana, porque no meu tempo, quando eu estudava, também tinha isso. Eu acho que com o cívico-militar, eles vão ter um pouquinho mais de disciplina, então eles vão conseguir aprender um pouco melhor."

Pelo regime cívico-militar, o uso do uniforme é obrigatório. As regras também exigem cabelo preso para as meninas, corte curto para os meninos e proíbem bonés e roupas curtas. A aluna Yasmin Santos, do 9º ano, comentou sobre esses desafios para os colegas neste início de aulas:

"E eu acho que isso vai ser novo para todo mundo, de certa forma, porque a gente não estava acostumado. A gente tinha uma... não é liberdade, mas a gente tinha um costume de vir sem uniforme, mesmo tendo uniforme, e com o cabelo do jeito que quiser. Então acho que vai ser uma coisa nova para todo mundo."

O diretor da escola, Ângelo Neto, atua há 27 anos na educação e 15 anos na gestão desta unidade, e explicou que uma consulta realizada pelo sistema oficial da Secretaria da Educação mostrou que 88% dos participantes — entre professores, pais e responsáveis — aprovam o modelo cívico-militar na unidade. Mais de 300 pessoas participaram da votação.

Segundo ele, no ano passado, a equipe escolar e os instrutores militares concluíram um curso online de 80 horas, e, no fim de fevereiro, os diretores participarão de uma formação presencial de dois dias.

A escola Professor Lourenço Filho possui nove turmas, com cerca de 38 alunos por sala, e registra mais de 150 pessoas na fila de espera para ingressar no modelo cívico-militar. O diretor também afirmou que a implementação do novo formato será gradual:

"O desafio é que tudo que é novo, a gente tem que ir se adaptando. A gente tem uma cartilha que iniciamos agora e ela vai estar em transformação até abril. O passo a passo é a questão da formatura, que a gente está tendo agora, a questão do uniforme, a questão de postura dentro de sala de aula, por exemplo, quando os professores chegarem dentro da sala de aula, os alunos se levantam e batem continência para os professores. Tem essa organização toda e isso leva um tempo para a gente trabalhar com as crianças, então acho que a gente tem que se adequar aos poucos."

As escolas foram selecionadas com base em critérios como baixo desempenho no IDEB e alto índice de vulnerabilidade social. O programa chegou com um ano de atraso: a previsão era iniciar em 2025, mas decisões judiciais suspenderam o cronograma.

Apesar da estreia do modelo cívico-militar em São Paulo, os alunos ainda não receberam os uniformes oficiais. A Secretaria da Educação informou que houve atraso no pregão e que o processo de compra segue em fase de finalização.

Segundo o secretário executivo da Educação, Vinícius Neiva, o problema ocorreu porque empresas fornecedoras não passaram nos testes de qualidade exigidos pelo IPT; pelo menos quatro companhias foram reprovadas. A Secretaria, então, decidiu não aceitar material fora do padrão previsto no edital. Os agasalhos já começaram a ser distribuídos, enquanto as camisetas devem chegar gradualmente nas próximas semanas.