Escavação na Bélgica encontra castelo de quase 500 anos construído por ordem de Carlos V

 

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Os trabalhos preparatórios para a construção de um complexo de apartamentos na cidade de Ghent, na Bélgica, acabaram revelando um achado histórico inesperado: restos de um castelo espanhol do século XVI e uma série de objetos considerados um “tesouro arqueológico”. As estruturas estariam ligadas à presença do Exército Espanhol na região.

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O castelo teria sido encomendado pelo imperador Carlos V como forma de reafirmar o domínio sobre os habitantes da cidade, que se revoltaram contra impostos. Ao longo dos séculos, grande parte da construção caiu em ruínas e acabou coberta por um bairro erguido no século XIX. Ainda assim, partes da fortificação permaneceram preservadas no subsolo, segundo reportagem da emissora belga VRT NWS.

Escavações revelam objetos e pistas do passado

De acordo com o arqueólogo Robby Vervoort, o local já indicava potencial arqueológico antes mesmo das escavações mais profundas. Testes realizados em edifícios demolidos revelaram blocos de pedra do antigo castelo e vestígios ainda mais antigos.

Um dos pontos que mais despertam interesse da equipe é a antiga fossa séptica do local. Segundo Vervoort, esse tipo de estrutura costuma preservar objetos de forma excepcional, já que, na época, diversos materiais eram descartados ali. A análise detalhada das camadas pode ajudar os pesquisadores a recuperar itens e entender melhor o cotidiano do período.

Os arqueólogos também esperam encontrar pistas sobre a presença de soldados espanhóis no castelo. Restos de animais, sementes e pólen de plantas, caso sejam localizados, podem indicar hábitos alimentares e outros aspectos da vida no local.

Cemitério medieval e vestígios ainda mais antigos

Além da fortificação, a equipe identificou um cemitério ligado à antiga Abadia de São Bavão, sobre a qual o castelo foi construído. Embora a igreja tenha restado apenas em vestígios, a área de sepultamentos permanece preservada. Segundo o site Popular Mechanics, já foram encontrados dezenas de esqueletos datados entre os séculos XIII e XX.

Outros materiais sugerem que o espaço foi ocupado em diferentes períodos históricos. Entre os itens descobertos estão tigelas de vidro, fragmentos de garrafas de vinho, cerâmica, materiais de construção da época romana e ferramentas de sílex, que podem indicar presença humana ainda mais antiga.

Apesar da importância dos achados, o projeto imobiliário seguirá adiante. Para preservar o patrimônio histórico, parte dos novos edifícios será construída sem porões, evitando interferências nas camadas arqueológicas do terreno.