A escassez de mão de obra é considerada um problema crônico por representantes da cadeia do cacau reunidos na segunda edição da Expocacau, essa semana, em Ilhéus (BA).
Segundo Neorley Carvalho, representante do Sebrae Bahia e líder de um estudo sobre o tema, o desafio do setor é plural.
Segundo ele, há um deslocamento de trabalhadores para a cafeicultura, principalmente no Espírito Santo, no período de colheita dos grãos entre abril e maio.
Outra razão apontada é a concessão de benefícios via programas sociais, que, na avaliação de produtores e empresas, atrapalha a contratação de temporários pelo setor.
Carvalho lidera um estudo junto ao CocoaAction que conta com 419 questionários aplicados para diagnosticar o problema mais a fundo e propor soluções.
Guilherme Moura, diretor da Federação da Agricultura da Bahia (Faeb), lembra que a cadeia produtiva do cacau faz uso intensivo de mão de obra, principalmente nos sistemas agroflorestais, onde existe uma dificuldade para mecanizar processos.
“Atrair o jovem para o campo tem sido um desafio.
Muitas vezes, a forma de trabalho, que é mais manual, faz com que o jovem não se interesse”, destaca.
A alternativa, para Moura, é buscar tecnologia para a produção, já que novos equipamentos podem despertar o interesse dos jovens de permanecerem no campo.
"A cidade e o campo estão cada vez mais próximos, e não pode ser diferente no cacau.
A fazenda precisa ter conectividade, acesso à internet.
Essas são condições mínimas para manter a mão de obra nas propriedades”.
Pedro Ronca, diretor do CocoaAction Brasil, entidade organizadora da Expocacau, ressalta que o produtor busca inovação para superar essa barreira.
“O desafio da mão de obra está gigante, os produtores vêm buscando investimentos em mecanização, que é uma forma de diminuir os custos e aumentar a produtividade”.
Escassez de mão de obra é considerada um problema crônico na cadeia do cacau
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