O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o avanço do debate pelo Senado da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 e usou o tema para criticar seu adversário no segundo turno das eleições, senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Hoje, o Senado voltou a discutir uma mudança que pode fazer uma diferença enorme na vida de milhões de brasileiros e brasileiras: o fim da escala 6x1. E eu quero ver essa conquista sair do papel. Já Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha”, declarou. Em fala no escritório-sede da campanha em Brasília, Lula também tratou do tema. Disse que a sociedade está de olho no assunto.
Mais cedo nesta terça-feira, Flávio acusou Lula de oportunismo por defender a proposta. – Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele. Eu tenho certeza que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso – disse o senador. O candidato do PL tem evitado se posicionar em relação ao texto que é debatido no Senado, mas disse que o melhor seria votar uma proposta alternativa. Flávio afirmou que a ideia é permitir que cada trabalhador ajuste a carga horária às próprias necessidades. — A nossa proposta é dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade, a sua necessidade. Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, que não consegue trabalhar mais, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou que a PEC pode ser votada na próxima semana, ainda que um acordo para isso ainda precise ser fechado. Aliados de Flávio tentam impedir que a medida seja votada antes do resultado do segundo turno da eleição, no próximo dia 25 de outubro Alcolumbre marcou para esta terça, quarta e quinta-feira as três primeiras das cinco sessões de discussão que o regimento exige antes da votação em primeiro turno no plenário. Dessa forma, na semana que vem, poderiam ser realizadas as duas discussões que faltariam e a deliberação pelo conjunto de senadores. — Meu desejo é cumprir integralmente o rito constitucional, sem atropelos, sem acelerar nada. Cumprir terça, quarta e quinta-feira as sessões de discussão das cinco primeiras da PEC no primeiro turno. A partir daí, na sexta-feira, organizar uma pauta para termos sessão novamente terça, quarta e quinta-feira na semana que vem. E se todos nós conseguirmos concluir as cinco sessões de debate na semana que vem, colocar para sua deliberação em 1º turno — disse Alcolumbre, lembrando ainda que, no segundo turno, tem mais três sessões de discussão antes da votação. Para aprovar uma PEC, são necessários 49 votos em dois turnos de votação.
O Globo