Erros fatais nas Maldivas: vítima usava traje de mergulho inadequado e cilindros não tinham mistura correta

Erros fatais nas Maldivas: vítima usava traje de mergulho inadequado e cilindros não tinham mistura correta

 

Fonte: Bandeira



As primeiras revelações sobre os possíveis erros cometidos pelo grupo de cinco italianos mortos em complexo de cavernas nas Maldivas na semana passada foram publicadas pelo jornal "Il Messaggero" tendo como fontes investigadores maldivos envolvidos no caso.

A maior parte dos equipamentos era adequada para mergulho recreativo e não parecia ser especificamente projetada para cavernas em águas profundas. Chama atenção especialmente o traje usado pela professora e pesquisadora Monica Montefalcone. O corpo dela foi encontrada sem um traje de mergulho completo, mas sim com uma versão mais curta, geralmente mais adequada para mergulhos recreativos de curta duração. Monica pode ter optado por essa versão por estar num período de calor nas Maldivas.

Além disso, alguns dos italianos usavam cilindros de 12 litros e as informações iniciais sugerem que todos utilizavam ar comprimido padrão, em vez de misturas para mergulho a 60 metros, como o trimix (oxigênio, nitrogênio e hélio).

Carlo Sommacal, o viúvo de Monica, irritou-se após o detalhe sobre o equipamento dela vazar.

"Monica estava usando uma roupa de mergulho de verão. Não me pareceu estranho. O mar nas Maldivas está quente", argumentou ele."Não quero ouvir mais especulações sobre eles", finalizou.

Mergulhador no complexo de cavernas onde morreu grupo de sete italianos

Reprodução/YouTube

Orietta Stella, advogada da operadora de turismo Albatros Top Boat, com sede em Verbania (itália), que vendeu o pacote para o cruzeiro científico subaquático durante o qual cinco italianos perderam a vida, nenhum deles tinha certificação de "penetração em cavernas".

"Para ir até onde eles foram encontrados, era necessária uma certificação de penetração em cavernas de algum programa de treinamento. Receio que provavelmente eles se perderam", declarou ela à agência de notícias Ansa. "Não sei se tinham lanternas, o que é outro fator fundamental. Porque lá é breu. Não há meio-termo. Imagino que a polícia das Maldivas vá agora realizar a sua investigação. Depois disso, se o Ministério Público de Roma decidir mesmo prosseguir com o caso, emitirá uma carta rogatória para obter os documentos da polícia das Maldivas e então avançaremos", emendou ela.

Finlandês refuta teoria de 'sucção'

Sami Paakkarinen, um dos maiores especialistas mundiais em mergulho em cavernas de águas profundas, que participou da missão de resgate dos corpos dos cinco italianos mortos nas Maldivas, refutou a teoria de que os turistas tenham sido sugados por correntes marítimas para dentro das cavernas.

"O mergulho em cavernas nunca é fácil. Requer um planejamento mais cuidadoso do que um mergulho normal. A caverna, por assim dizer, respira. Há uma corrente que entra e sai, mas não é muito forte. Não poderia ter sugado ninguém", alegou ele ao "Corriere della Sera", contestando a teoria do "efeito Venturi" que teria arrastado os mergulhadores italianos para o fundo. Além disso, segundo Paakkarinen, é difícil entrar na caverna sem perceber: "Nas Maldivas, o sol brilha até cerca de 100 metros de profundidade. A 60 metros, ainda é dia. Quando você entra em uma caverna, percebe porque escurece."

O mergulhador finlandês também enfatizou a necessidade do uso de equipamentos especializados para esse tipo de mergulho:

"Para mergulhar a mais de 60 metros de profundidade, você precisa de gases de mergulho além do ar. Eles são chamados de trimix, uma mistura de oxigênio, nitrogênio e hélio, que reduz o efeito de narcose em profundidade. Isso ajuda a manter o estado de alerta. Também é essencial o uso de rebreathers, dispositivos que reciclam o gás respiratório e permitem mergulhos muito longos. Temos mais de cinco horas de autonomia da bateria, até dez horas se explorarmos os limites. Com equipamento convencional, só é possível ficar submerso por alguns minutos, dez no máximo."

Na quarta-feira (20/5), os corpos dos últimos italianos mortos na tragédia foram retirados por um trio de especialistas finlandeses do complexo de cavernas.

Todos os corpos foram levados até Malé, a capital maldiva. Porém não serão realizadas autópsias na cidade por questões religiosas. Os procedimentos só serão feitos na Itália.

As vítimas

Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia da Universidade de Gênova

Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica

Muriel Oddenino di Poirino, pesquisadora de Turim

Gianluca Benedetti, de Pádua, instrutor de mergulho

Federico Gualtieri, também instrutor de mergulho e recém-formado em Biologia Marinha e Ecologia pela Universidade de Gênova

Mohammed Mahdi, mergulhador maldivo de resgate