'Erro tático': Guerrilheiros dissidentes da Colômbia assumem responsabilidade por explosão com 21 mortos

 

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Guerrilheiros dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assumiram a responsabilidade pelo atentado que matou 21 civis e deixou 56 feridos no último fim de semana, no sudoeste da Colômbia. O ataque ocorreu em uma estrada do departamento de Cauca e, segundo o grupo, foi um “erro tático” durante um confronto com o Exército, a pouco mais de um mês das eleições presidenciais.

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O Estado-Maior Central (EMC), principal grupo formado por ex-integrantes das FARC que não aceitaram o acordo de paz de 2016, disse em comunicado que a explosão aconteceu por falhas durante uma ação militar. “Com profunda dor, assumimos a responsabilidade política por este erro tático, que não tem justificativa”, afirmou o grupo.

De acordo com uma fonte do Exército ouvida pela AFP, os guerrilheiros tinham montado um bloqueio na estrada para atacar militares, mas civis acabaram sendo atingidos quando os explosivos foram detonados.

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O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, disse que o ataque foi uma resposta à pressão das forças de segurança, após o fracasso das negociações de paz entre o presidente Gustavo Petro e Iván Mordisco, líder do EMC e um dos guerrilheiros mais procurados do país.

A Organização das Nações Unidas pediu que o governo aumente a proteção da população e evite novos ataques. O órgão também cobrou que os grupos armados parem com ações violentas contra civis.

Enterro coletivo das vítimas de um atentado com bomba à beira da estrada no cemitério local de Cajibio, departamento de Cauca, Colômbia, em 28 de abril de 2026

AFP

As autoridades informaram que o principal suspeito de organizar o atentado, conhecido como “Mi Pez”, foi preso na terça-feira.

O presidente Gustavo Petro afirmou que o objetivo do ataque era “atrapalhar as eleições”. A votação acontece em um momento importante, já que a esquerda tenta continuar no poder após vencer pela primeira vez em 2022.

Entre os candidatos, Iván Cepeda, aliado de Petro, aparece à frente nas pesquisas. Ele disputa contra o advogado Abelardo de la Espriella e a senadora Paloma Valencia, que recentemente sugeriu o ex-presidente Álvaro Uribe como possível ministro da Defesa.

O caso aumenta a tensão no país e traz de volta o debate sobre segurança pública durante o período eleitoral.