Erosão avança sobre praias de Mosqueiro e moradores denunciam abandono da orla

Erosão avança sobre praias de Mosqueiro e moradores denunciam abandono da orla

 

Fonte: Bandeira



A erosão costeira tem avançado em diferentes pontos da orla de Mosqueiro, distrito administrativo de Belém, e provocado preocupação entre moradores, comerciantes e frequentadores das praias da ilha. Um dos casos mais graves ocorre no primeiro acesso à praia do São Francisco, considerada uma das mais bonitas e frequentadas da região. Já no bairro do Murubira, a força da erosão atingiu a calçada da avenida Beira-Mar, área bastante movimentada por moradores e turistas. No local, uma placa da prefeitura informa a realização de obras, mas moradores afirmam que a sinalização permanece instalada há muito tempo sem que os serviços avancem.


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No final da rua José Augusto Barros, na praia do São Francisco, integrante do Movimento Tudo Por Mosqueiro, o autônomo Clayton Silva, 44 anos, denunciou o agravamento da erosão e afirmou que o problema é antigo. “A gente está aqui no final da rua José Augusto Barros, na praia de São Francisco, onde tem essa erosão. A gente recebe água da pista principal e ela vem desaguando há anos aqui na praia. Há anos causando essa erosão”, contou.


Segundo ele, o avanço da erosão já trouxe prejuízos econômicos para a área. “Inclusive , dos 10 restaurantes que tinha aqui, só ficou esse aqui, que o dono já vendeu para outro. Aí, por conta da erosão, o morador abandonou (a casa, que fica à beira da praia). Isso porque a última erosão pegou aquela parte lá do arrimo”, afirmou. A erosão atingiu parte do imóvel. Clayton Silva também criticou a falta de ações do poder público. “Vocês podem verificar aqui, em tempo real, a situação da grande erosão. Até o presente momento não foi feito nada pela prefeitura de Belém para melhorar”, disse.


Ele alertou ainda para o risco de agravamento do problema. “A tendência é que essa erosão vá aumentando cada vez mais. Inclusive os protocolos tramitam lá sob consulta pública e a prefeitura de Belém, até o presente momento, não faz uma ação”, afirmou. O local atingido fica no primeiro acesso à praia do São Francisco, vindo do entreposto pesqueiro do Cajueiro. Clayton destacou o potencial turístico da área e lamentou o abandono. “Essa praia aqui é uma praia linda, agradável, turística. Inclusive, por conta da ladeira lá, que está toda deteriorada, os ônibus turísticos que vinham de Bragança e de outros lugares já passaram a não vir mais para cá por conta desse abandono. Já foram para outras praias”, contou.


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Morador da rua Luís de Camões e dono de um bar na área afetada, o comerciante Cláudio Carmo, de 66 anos, também denunciou o avanço da erosão. “Está avançando muito. Já fiz o que podia, mas não tem condições”, afirmou (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)


Segundo ele, os impactos atingem diretamente os moradores e comerciantes locais. “É um prejuízo para os moradores, um prejuízo para o turismo e para a economia. Muita renda poderia estar sendo gerada aqui se tivesse sido feito um serviço de acesso, do direito nosso de cidadão”, afirmou. Clayton disse ainda que visitantes questionam a situação da área. “Inclusive o pessoal de Belém e Ananindeua que visita aqui a praia questiona por que o poder público deixa tão abandonada a rua, sendo que tem uma praia tão linda aqui embaixo”, contou. Os moradores também reclamam de um descarte irregular de entulho na praia.


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Morador da rua Luís de Camões e dono de um bar na área afetada, o comerciante Cláudio Carmo, de 66 anos, também denunciou o avanço da erosão. “Está avançando muito. Já fiz o que podia, mas não tem condições”, afirmou. Segundo ele, medidas improvisadas foram adotadas para tentar conter o problema. “Já botei pneus, já botei uns aterros aqui, mas a maré vem e leva de novo. Então a gente tem que fazer uma coisa mais consistente”, disse.


O comerciante relatou prejuízos ao movimento no local. “Isso afeta a gente em tudo. Tem um pessoal que costuma vir aqui. Quando eles souberam aí, já não querem mais vir”, lamentou. “Está abandonado”, lamentou. Apesar dos problemas, Cláudio destacou a tranquilidade da praia. “É uma praia muito bonita, tem tranquilidade, não tem negócio de assalto, de roubo, nada. É mais família”, afirmou. Ele também cobrou ações do poder público. “A natureza fez a parte dela, mas o poder público não está ajudando. Nós estamos abandonados mesmo”, disse. Ao fazer um apelo às autoridades, o comerciante pediu atenção para a área. “Que o poder público olhe mais um pouco aqui por essa praia maravilhosa que tem. Os comerciantes também precisam sobreviver. Que dê essa força para a gente”, disse.


Já na avenida Beira-Mar, com a rua Cesar Augusto, no Murubira, a erosão também preocupa moradores. O aposentado João Ramalho, de 72 anos, afirmou que o problema se arrasta desde o começo do ano. Ao ser perguntado se a situação estava feia, ele brincou. “Feio sou eu. “Isso aqui está horrível”, afirmou. Questionado sobre a placa da prefeitura instalada no local informando obras em andamento, João criticou a falta de continuidade dos serviços. Informa a placa, afixada pela Prefeitura de Belém: “Ei, aqui tem trabalho acontecendo. Desculpe o transtorno”.


Aposentado João Ramalho, de 72 anos, na avenida Beira-Mar: “Feio sou eu. “Isso aqui está horrível”, afirmou (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)


“Rapaz, essa placa aí também já está fazendo uns quantos aniversários. Só colocaram aí e foram embora. No primeiro dia que colocaram a placa até teve uma movimentação, depois abandonaram”, disse. Segundo ele, a situação continua piorando. “Isso aqui está crescendo para cá. Tu vai passando ali depois de uma sorveteria que tem ali, está horrível”, contou.


O morador afirmou que a erosão representa risco para quem circula pela avenida. “Aqui é um perigo. Eu caminhava (por aqui), mas não estou caminhando mais. Daqui para lá (ainda na avenida Beira-Mar) está pior do que isso aqui”, contou. João também fez um apelo às autoridades. “Se a gente fizesse esse serviço aqui era ótimo para nós, moradores aqui da ilha”, afirmou.