‘Era tão inacreditável que parecia ficção’, diz Caco Ciocler sobre ‘patriota do caminhão’, que inspirou filme

 

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Um episódio ocorrido durante as eleições presidenciais de 2022 virou inspiração para a trama de um filme. Um homem, vestido com uma camisa do Brasil, se pendura na frente de um caminhão a fim de impedir que o veículo atravesse uma manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele acaba sendo arrastado por quilômetros. O caso gerou dezenas de memes na época e, agora, é ficcionalizado no filme “Eu Não Te Ouço”, que estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas.

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Em entrevista ao Estúdio CBN desta terça-feira (12), Caco Ciocler, diretor do longa, e Márcio Vito, ator que protagoniza a história, falam sobre o longa. Segundo Ciocler, a ideia de transformar a cena da vida real em ficção surgiu justamente de sua especificidade, como uma metáfora para o momento político vivido pelo país.

“(O caso) era tão inacreditável que parecia ficção. Acho que, se tivesse acontecido hoje em dia, muita gente acharia que teria sido feito por inteligência artificial. Como a maioria dos brasileiros, eu ri muito desse meme e o espalhei. Coloquei o ‘patriota’ em foguetes, kombis, canecas… Mas eu parei de rir em um momento, caiu a ficha de que o que estava acontecendo ali era uma coisa trágica e que aquilo era a tradução física de um momento muito delicado do nosso país. Aquele vidro (entre o motorista e o homem pendurado), que não deixava que os dois se ouvissem, era uma tradução de um país que não sabe se ouvir”, conta.

Ao ficcionalizar o episódio, “Eu Não Te Ouço” traz a história como um road movie, usando o vidro do caminhão como barreira de diálogo entre os dois personagens. No caso, tanto o caminhoneiro quanto o “patriota do caminhão” são interpretados pelo ator Márcio Vito.

“São duas pessoas que, dentro de seus tempos, talvez um com mais tempo do que o outro, têm recebido coisas que são versões da mesma informação errada. É claro que todo mundo é contra a corrupção e a favor da liberdade de expressão. Mas, dependendo de como você é levado para uma informação errada, ela vai crescendo a partir dessa isca que você morde. São duas pessoas que morderam iscas. Um mordeu mais do que o outro”, diz.

Vito ganhou o Troféu Redentor de Melhor Ator na Mostra Novos Rumos do Festival do Rio de 2025 pelas atuações.

Quanto ao entrave na comunicação entre ambos – que no longa serve como metáfora para uma questão social –, o diretor acredita que é possível “remover esse para-brisa” e romper com sua simbologia.

“Fiz esse filme um pouco para isso. Acho que só conseguiremos quando deixarmos de reproduzir o que criticamos no outro. A falta da escuta é sempre do outro, a violência é do outro… E, com isso, reproduzimos o que estamos criticando no outro. Acho que é uma atitude muito mais autocrática, de quebrar esse vidro. Nós, que nos dizemos crentes da democracia, temos que parar de reproduzir esse comportamento. Vamos rir, mas vamos quebrar esse vidro e sair dessa pobreza argumentativa. A responsabilidade é nossa”, afirma.

O longa estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas.

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