Equipe internacional de astrônomos descobrem raro sistema estelar com quatro 'sóis'; entenda
Uma equipe internacional de cientistas identificou o sistema estelar quádruplo mais compacto já observado, concentrado em uma região do espaço equivalente à órbita de Júpiter em torno do Sol. A descoberta foi publicada na terça-feira na revista científica Nature Communications.
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O estudo foi liderado pelo astrônomo Tamás Borkovits, da Universidade de Szeged, na Hungria, com a participação de centros de pesquisa da China, República Checa, Eslováquia e Estados Unidos.
O sistema, denominado TIC 120362137, é considerado o exemplo mais compacto conhecido de um arranjo estelar do tipo “3+1”, no qual três estrelas formam um subsistema interno enquanto uma quarta estrela orbita esse conjunto.
De acordo com os autores, sistemas estelares hierárquicos — em que várias estrelas orbitam em uma região relativamente pequena — são importantes para compreender como estrelas se formam e como permanecem estáveis ao longo de longos períodos.
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No caso do TIC 120362137, as três estrelas internas estão confinadas em uma área aproximadamente do tamanho da órbita de Mercúrio em torno do Sol. Já a quarta estrela possui uma órbita mais ampla, localizada a uma distância um pouco menor que a de Júpiter em relação à nossa estrela.
Os pesquisadores destacam que sistemas quádruplos desse tipo são extremamente raros. Além da dificuldade de observação e modelagem do movimento de quatro estrelas, há também o desafio da estabilidade gravitacional.
Em sistemas tão compactos — onde caberiam três estrelas dentro da órbita de Mercúrio — forças de maré e perturbações gravitacionais frequentemente provocam colisões ou a ejeção de uma das estrelas para o espaço interestelar. Por isso, sistemas quádruplos mais comuns são do tipo “2+2”, formados por dois pares de estrelas binárias que orbitam um ao redor do outro a grandes distâncias.
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Para realizar a pesquisa, os cientistas combinaram dados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, com observações obtidas em vários observatórios terrestres.
Segundo o estudo, as três estrelas internas do sistema são mais massivas e mais quentes que o Sol, enquanto a estrela externa apresenta características semelhantes às da nossa estrela.
Com base nessas observações, a equipe realizou simulações para projetar a evolução futura do sistema. Os resultados indicam que, dentro de cerca de 9,39 bilhões de anos, o conjunto provavelmente terminará sua existência como um par de anãs brancas, após a fusão das quatro estrelas originais.
Para os autores, a descoberta oferece uma visão detalhada do comportamento dinâmico de sistemas estelares extremamente compactos e pode ajudar a aprimorar os modelos teóricos sobre a evolução de estrelas múltiplas no universo.
