Equipe da meia-maratona, liderada por Caio Bonfim, é candidata ao pódio no Mundial em Brasília

 

Fonte:


Caio Bonfim, de 35 anos, medalhista de prata na Olimpíada de Paris-2024 e campeão e vice-campeão mundial em Tóquio, em 2025, é a estrela do Brasil no Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes, que será disputado pela primeira vez na América do Sul, neste final de semana, em Brasília, e com novas distâncias. A competição se iniciará às 6h45 deste domingo, com a maratona masculina e feminina (42,195 km). Já a prova da meia maratona (21,097 km) começará às 11h05. O canal SporTV mostrará ao vivo. Haverá ainda a disputa sub-20 de 10 km.

Caio é atleta do Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO), clube de sua família, que terá ainda Max Batista dos Santos e Lucas Mazzo na equipe masculina da meia maratona, prova em que o Brasil tem mais chances de pódio.

Completam a equipe, Matheus Gabriel Correa (AABLU-SC) e João Paulo Nobre de Oliveira (Fundação Edson Queiroz-CE).

Caio, Max e Matheus são atletas olímpicos.

No total, o Brasil terá 26 atletas, com equipes completas nas três provas, maratona, meia maratona e 10 km, sendo oito do CASO, cuja fundadora e presidente é Gianetti Bonfim, mãe de Caio e eleita a melhor treinadora de 2025 pelo Prêmio Brasil Olímpico, do COB.

Além de Caio, outros destaques são a bicampeã mundial de 2022, a peruana Kimberly García; o campeão mundial dos 35 km de marcha atlética, o canadense Evan Dunfee; a medalhista de bronze mundial dos 35 km, a equatoriana Paula Torres; e o bicampeão mundial, o japonês Toshikazu Yamanishi.

Novas distâncias

As provas serão disputadas em um percurso circular de 2 km para a maratona (21 voltas e 195m) e em um circuito circular de 1 km para a meia maratona (21 voltas e 0,097m). O circuito estará localizado no Eixo Monumental, com largada e chegada próximas a Catedral Metropolitana e ao Museu Nacional da República. O evento contará 333 atletas, de 40 países.

Viviane Lyra e Caio Bonfim disputaram a maratona em revezamento misto nos Jogos Olímpicos de Paris

Divulgação / CBAt

A competição premiará as três melhores equipes nos naipes feminino e masculino de cada prova, além dos três melhores colocados individuais em cada uma delas.

Assim, além da meia maratona com o time masculino e a chance individual de Caio nesta prova, o Brasil entrará forte com Viviane Santana Lyra (Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG) na maratona.

E, apesar de ser um Mundial por Equipes, os atletas não marcharão juntos, com estratégia de equipe. É cada um por si.

Cada equipe poderá ter até cinco atletas em ação, sendo que os três melhores de cada time pontuam para a premiação por equipe. E o resultado do país é a soma de pontos dos três melhores atletas — e o país que tiver menos pontos, vence.

— Temos equipe forte com chances de buscar as primeiras colocações, mas a prova será muito disputada e tem ainda as questões de arbitragem. Nunca se sabe — diz Gianetti Bonfim, técnica do CASO e de Caio, que acredita que a equipe masculina da meia maratona pode chegar entre as cinco primeiras colocadas, além dos resultados individuais. — Caio vem de medalha olímpica e de conquistas no Mundial e, claro, a expectativa em relação a ele é grande. Ele, de fato, tem potencial de pódio.

Comparar pace

Sobre a mudança nas distâncias, Gianetti diz que “não importa muito” porque são próximas às anteriores. A World Athletics determinou que a partir desta temporada, a modalidade terá duas novas distâncias, a meia-maratona e a maratona, em substituição às provas de 35 km e 20 km.

— Para nós não muda nada, nossos treinos já são de 40 km, 30 km. Somos uma escola de muita rodagem. E a gente sabe que não são todos que fazem isso. Já fomos chamados de loucos, inclusive. Mas a gente acredita e faz — diz Gianetti, que afirma que Caio não sente pressão por competir em casa — Pode ser onde for, que ele não sofre com isso. Estar em Brasília é bom. Ele está com a família, dorme em sua casa e come a comida que está acostumado. Isso sim é importante. Está muito bem preparado, mantivemos o trabalho feito para Paris-2024 até porque em time que está vencendo não se mexe.

Entre os Jogos de Los Angeles-1932 e Tóquio-2020, a marcha atlética tinha como distância mais longa a de 50 km. Em Paris-2024, a prova foi substituída pela maratona mas em revezamento misto, com a participação de um homem e uma mulher.

Inicialmente, a distância mais curta da marcha atlética era 10km, no programa olímpico a partir de Estocolmo-1912. A prova de 20km foi introduzida em Melbourne-1956 e permaneceu até Paris-2024.

Em entrevistas sobre o tema, Sebastian Coe, presidente da World Athletics, disse que a mudança tem como meta aproximar o público geral, principalmente o da corrida de rua, da marcha atlética.

— Essa modificação é para trazer as distâncias que as pessoas já estão acostumadas. O público poderá relacionar os tempos de prova (com a corrida) e ver como os marchadores são rápidos e talentosos.

Caio aprovou a mudança e disse ao GLOBO, em entrevista à época, que gosta da ideia de aproximar a marcha atlética da corrida de rua:

— A gente vai ganhar um público que é o da corrida de rua, esporte mais praticado no mundo. A galera vai se aproximar mais da marcha, comparar pace. E isso vai chamar a atenção para a modalidade — opina Caio, que chega ao Mundial em alta.

Em março, Caio ficou com a segunda colocação do Grand Prix da China, em Taicang, na meia-maratona, ao completar a distância em 1h23min e sem cometer faltas, batendo o recorde sul-americano da distância.

Em fevereiro, no Campeonato Japonês de Meia-Maratona, em Kobe, ele fez 1h21min44. Na ocasião, a vitória foi de Yamanishi Toshikazu (JPN), que estabeleceu recorde mundial da prova em 1h20min34. Caio e outros estrangeiros não disputaram colocações oficiais.

Esse será o oitavo Mundial por Equipes de Caio, o segundo atleta com o maior número de participações, atrás apenas de Sérgio Galdino, que soma nove aparições entre 1989 e 2006.

A melhor posição da equipe masculina brasileira em um Mundial por Equipes é o 6º lugar nos 35 km obtido na edição de 2022, em Muscat (Omã).

Max Batista fez parte daquele time, junto com Caio, além de Diego Pereira Lima e Rudney Dias Nogueira, que disputarão a maratona em Brasília.

Max, de 31 anos, participa de seu terceiro Mundial. É companheiro de treinos de Caio, assim como Lucas Mazzo, também de 31 anos e igualmente em sua terceira participação.

A programação inclui seis provas (horários de Brasília):

6h45 - Marcha atlética masculina - maratona

6h45 - Marcha atlética feminina - maratona

7h15 - Marcha atlética masculina sub-20 de 10 km

8h15 - Marcha atlética feminina sub-20 de 10 km

11h05 - Marcha atlética masculina - meia maratona

12h50 - Marcha atlética feminina - meia maratona