Equador mobiliza 75 mil soldados e policiais para combater narcotráfico; plano é alinhado com os EUA

 

Fonte:


A polícia e os militares do Equador prenderam mais de 250 pessoas, a maioria por violar um toque de recolher noturno de duas semanas imposto em meio a uma ofensiva antidrogas apoiada pelos Estados Unidos, informou o Ministério do Interior nesta segunda-feira. As prisões ocorrem no contexto de uma mobilização de 75 mil militares e policiais em seu plano denominado "Ofensiva Total", que está alinhado a acordos com Washington para compartilhar informações e fortalecer as capacidades das forças de segurança equatorianas.

'Querem que usemos um míssil?': Trump anuncia aliança de 17 países das Américas para 'destruir' cartéis do narcotráfico

Janaína Figueiredo: A tropa de Trump na América Latina

O primeiro dia de operações resultou em 253 prisões, "principalmente por violações do toque de recolher e porte de armas", informou o Ministério do Interior a jornalistas em seu canal do WhatsApp.

As operações, iniciadas na noite de domingo, estão sendo realizadas nas províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro, as mais afetadas pela violência de organizações armadas dedicadas ao narcotráfico, extorsão e assassinatos por encomenda.

Imagens divulgadas pela polícia mostram agentes uniformizados arrombando portas, um homem de cueca deitado de bruços com as mãos na cabeça e policiais uniformizados patrulhando ruas e inspecionando residências.

Destino turístico popular: Cinco cabeças humanas são encontradas expostas em praia no Equador

O secretário do Interior, John Reimberg, publicou vídeos no Instagram mostrando detidos enfileirados com policiais, incluindo jovens, uma mesa com drogas e policiais uniformizados realizando buscas na rua.

O Equador faz parte da aliança de 17 países criada por Donald Trump para combater o narcotráfico na região, após um acordo selado no início deste mês em Miami sob o nome de "Escudo das Américas".

Durante o toque de recolher, que vigora das 23h, horário local (1h em Brasília), às 5h (7h em Brasília), somente viajantes com passagens aéreas em mãos, profissionais de saúde e equipes de emergência têm permissão para sair.

"Não serão emitidos salvo-condutos", declarou a polícia em suas redes sociais.

Onda de violência: Seis pessoas, incluindo um bebê, morrem em ataque armado em praia do Equador

O país está localizado entre a Colômbia e o Peru, maiores produtores mundiais de cocaína. Até uma década atrás, o Equador era um país tranquilo, mas se tornou o mais violento da região, com 52 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, ou um por hora, segundo o Observatório Equatoriano de Crime Organizado.

Em novembro, um novo relatório da consultoria International Crisis Group (ICG) revelou que o Equador vive sua pior crise de segurança em décadas, consolidando-se como um dos principais centros do narcotráfico para a Europa.

Segundo o ICG, o país tornou-se o mais violento da América do Sul em menos de uma década. O relatório associa a explosão da criminalidade à reconfiguração das rotas do tráfico após o acordo de paz na Colômbia em 2016, que "favoreceram a transformação do Equador em uma plataforma de exportação de drogas" — especialmente dos portos do Pacífico, como Guayaquil, hoje um dos principais pontos de saída dos traficantes rumo à Europa e aos Estados Unidos.

A relação do presidente equatoriano, Daniel Noboa, com Trump isenta-o da pressão militar de Washington, como a exercida sobre a vizinha Venezuela, ou ainda de sanções, como as aplicadas sobre o chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro.