Epstein tentou comprar palácio milionário no Marrocos às vésperas da prisão, em 2019, revelam documentos

 

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Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que Jeffrey Epstein tentou adquirir um palácio multimilionário no Marrocos na véspera de sua prisão, em julho de 2019. Em 5 de julho daquele ano, ele autorizou a transferência bancária de US$ 14,95 milhões, após fechar acordo para comprar, por € 18 milhões, a empresa offshore proprietária do imóvel.

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A operação foi descrita como a última grande transação financeira realizada por Epstein antes de ser preso pelas autoridades americanas sob acusações de tráfico sexual, ao retornar a Nova York. Três dias depois da detenção, seu contador, Richard Kahn, cancelou a transferência, e o negócio não foi concluído, segundo informações divulgadas pela BBC.

A imprensa marroquina chegou a especular que a aquisição poderia ter como objetivo transformar o país em refúgio, já que o Marrocos não possui tratado de extradição com os Estados Unidos. Um ex-associado de Epstein afirmou, contudo, que a negociação indicava que ele “não fazia ideia” de sua prisão iminente. Segundo essa fonte, “faria sentido se ele estivesse pensando em um possível santuário onde pudesse continuar vivendo como um rei”.

Apesar das conjecturas, os documentos tornados públicos não fazem qualquer menção a discussões de Epstein sobre o uso do Marrocos como abrigo contra autoridades americanas.

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Palácio Bin Ennakhil

A propriedade em questão é o Bin Ennakhil, localizado no bairro de Palmeraie, em Marrakech. O nome significa “entre as palmeiras” em árabe. O palácio é descrito como uma obra-prima arquitetônica, construída por 1.300 artesãos e adornada com entalhes e mosaicos ornamentados.

Epstein tentou comprar palácio milionário no Marrocos às vésperas da prisão, em 2019, indicam documentos

Reprodução

Epstein tentava adquirir o imóvel desde 2011. À época, o palácio pertencia ao magnata alemão do setor de resíduos Gunter Kiss. O valor pedido inicialmente era de € 55 milhões. Considerando o preço elevado, Epstein apresentou uma oferta substancialmente inferior, o que levou Kiss a se sentir ofendido e a interromper as negociações.

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Anos depois, as conversas foram retomadas, ainda marcadas por disputas sobre valores e condições contratuais.

Durante as tratativas, a Kensington Luxury Properties, representada por Marc Leon, teve papel central na intermediação. Em determinado momento, foi apresentada a Epstein uma “estratégia de venda e tributação”, segundo a qual o imóvel seria registrado junto às autoridades marroquinas como vendido por € 10 milhões, enquanto uma operação separada de € 20 milhões envolveria as ações da empresa offshore que detinha a propriedade.

A estrutura permitiria que Epstein figurasse como proprietário formal do bem no Marrocos e, ao mesmo tempo, reduzisse o montante de impostos devidos no país.

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A empresa negou qualquer irregularidade.

— Essa transação não violou nenhuma regulamentação fiscal — disse Marc Leon: — O sr. Epstein queria pagar taxas de registro no Marrocos, embora não fosse obrigado a fazê-lo… para possuir a propriedade em seu próprio nome.

Posteriormente, Epstein optou por adquirir o ativo exclusivamente por meio da compra das ações da offshore e ainda definia como proceder ao registro no Marrocos quando foi preso.

Intermediações e visitas discretas

A namorada de longa data de Epstein, Karyna Shuliak, passou a liderar as buscas por uma propriedade em Marrakech, realizando visitas e conduzindo negociações registradas em e-mails. Em 2018, Epstein esteve pessoalmente no local antes que Shuliak formalizasse ofertas finais, fingindo atuar em nome de Leon Black, investidor bilionário e amigo do financista. Mais tarde, ficou claro que o interessado era o próprio Epstein.

Nos e-mails trocados durante as negociações, o vendedor Gunter Kiss era tratado como “Sr. Kiss”. Apesar das tensões iniciais, ele concordou em retomar o diálogo.

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As conexões de Epstein com o país remontam ao início dos anos 2000. Virginia Giuffre, uma de suas acusadoras mais conhecidas, relata em seu livro de memórias ter sido levada por Epstein e Ghislaine Maxwell a Tânger para avaliar projetos de design de interiores de propriedades de luxo. Naquele período, ele pretendia reformar partes de sua residência em ilha com inspiração marroquina.

Em 2002, Epstein participou do casamento do rei do Marrocos, Mohammed, ao lado de Maxwell, após convite feito pelo ex-presidente americano Bill Clinton.

Depois de sua condenação, em 2008, por aliciamento de menores para fins sexuais e da libertação da prisão domiciliar em 2010, seu interesse pelo Marrocos aparentemente se intensificou. Documentos indicam que, naquele mesmo ano, ele solicitou ao ex-ministro trabalhista britânico Peter Mandelson que encontrasse para ele um assistente capaz de “encontrar uma casa em Marrakech”.

A partir de 2012, passou a visitar o país com frequência, hospedando-se em Palmeraie, distrito conhecido por abrigar uma comunidade de expatriados abastados, entre eles Jabor al Thani, integrante da família real do Catar, a quem Epstein se referia como seu “irmão árabe”.