Epstein se descreve como predador sexual 'de primeira linha' em entrevista divulgada nos arquivos

 

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O criminoso sexual Jeffrey Epstein se descreve como um predador sexual de 'primeira linha' em uma entrevista inédita gravada em vídeo e divulgada dentro dos arquivos do caso pelo Departamento de Justiça na sexta-feira (30).

Encontrado morto na sua cela da prisão em agosto de 2019 após ser preso um mês antes, ele afirmou que estava no 'nível mais baixo' de perversão.

Não há uma identificação oficial de quem estava realizando a entrevista. No vídeo também não há logos.

Segundo o New York Post, a julgar pela aparência de Epstein, a entrevista parece ter sido gravada pouco antes da sua prisão.

O vídeo foi um dos dois mil divulgados pelo governo Trump na sexta-feira, juntamente com até 3,5 milhões de páginas de documentos e 180 mil imagens, em conformidade com a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada por Trump em novembro passado.

Arquivos Epstein divulgados pelo governo Trump possuíam nudez e nomes de ao menos 43 vítimas

Trump ao lado de Epstein.

Reprodução

A divulgação de mais de três milhões de documentos relativos ao caso Epstein pelo governo Trump na última semana anunciava o nome de 43 vítimas, que não tiveram a identidade tampada, e também mostrada nudez, inclusive de adolescentes. As afirmações são de reportagens da imprensa americana.

Segundo o jornal The New York Times, o Departamento de Justiça era obrigado a ocultar os corpos e rostos das vítimas ou que poderiam ser usadas para identificar. No entanto, a reportagem encontrou quase 40 imagens não editadas mostrando corpos nus. A maioria era de mulheres jovens, mas não é possível saber se eram menores de idade.

O veículo afirma que notificou o caso ao governo americano durante o sábado (31), sinalizando outras imagens no domingo (1). Uma porta-voz respondeu que o departamento estava 'trabalhando ininterruptamente para atender a quaisquer preocupações das vítimas, realizar redações adicionais de informações de identificação pessoal, bem como tratar de quaisquer arquivos que exijam redações adicionais de acordo com a lei, incluindo imagens de natureza sexual'.

'Assim que as devidas redações forem feitas, todos os documentos pertinentes serão disponibilizados novamente online', disse a porta-voz.

Segundo o NYT, as imagens mostravam ao menos sete pessoas diferentes e grande parte delas já foram removidas dos arquivos.

Uma outra reportagem, essa do jornal The Wall Street Journal, revela que os arquivos mostram o nome de 43 vítimas de Epstein e dos casos de tráfico sexual. Os nomes completos de várias mulheres apareceram mais de 100 vezes nos arquivos.

O Departamento de Justiça era obrigado a ocultar todos os nomes das vítimas antes de divulgar os arquivos. Autoridades afirmaram que passaram semanas fazendo isso após receberem listas de nomes dos advogados das vítimas.

Desde a divulgação, na sexta-feira (30), o Departamento vem retirando parte dos arquivos para fazer as alterações.

No domingo, o vice-procurador-geral Todd Blanche disse à ABC News que a agência tomou precauções para proteger as vítimas e que removeria seus nomes caso fosse notificada.

'Sempre que recebemos uma notificação de uma vítima ou de seu advogado informando que seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente'.

De acordo com a análise do WSJ, mais de duas dezenas de nomes de vítimas menores de idade foram revelados nos documentos. Seus nomes completos estavam disponíveis na tarde de domingo (1) na busca por palavras-chave do Departamento de Justiça, juntamente com detalhes de identificação pessoal que facilitam o rastreamento, incluindo endereços residenciais.

Jeffrey Epstein

Reprodução/Jornal Nacional