Epstein passou a recrutar modelos que 'se pareciam com adolescentes' depois de condenação em 2008

 

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Em 2008, o financista americano Jeffrey Epstein foi condenado por aliciamento de menores para fins sexuais. A sentença, no entanto, manteve o abusador por apenas 13 meses na cadeia, em regime semiaberto, por causa de um acordo judicial negociado na época. Depois de enfrentar a Justiça dos EUA, Epstein decidiu mudar a estratégia: passou a mirar maiores de idade que se parecessem com adolescentes para satisfazer seus desejos doentios.

De Michael Jackson a Trump: todos os famosos e figuras públicas que constam dos documentos do caso Epstein

De acordo com o advogado Brad Edwards, representante de dezenas de vítimas de Epstein a nova estratégia de aliciamento tinha como objetivo atrair deliberadamente mulheres acima dos 18 anos para não chamar tanta atenção e evitar uma nova condenação. Segundo o advogado, ele "atraiu muito pouca atenção das autoridades policiais" com esse modus operandi.

Svetlana Pozhidaeva

Reprodução

Depoimentos de vítimas do financista ilustram como tudo acontecia. A ex-modelo russa Svetlana Pozhidaeva, por exemplo, contou ao "Wall Street Journal" que foi atraída para a rede de aliciamento de Epstein em 2008, depois que o financista prometeu um teste para ela na Victoria's Secret.

Jeffrey Epstein e a sua namorada, Ghislaine Maxwell, comandavam esquemas de aliciamento e tráfico sexual de menores

AFP

O teste nunca aconteceu e Svetlana, que desfilava para marcas de moda europeias renomadas, foi abusada e coagida a recrutar mais mulheres jovens. A modelo relatou a sensação de culpa que sentia na época dos abusos.

"Tem sido difícil para mim porque, durante muitos anos, senti muita vergonha de não ser menor de idade quando o conheci. Eu tinha pouco mais de 20 anos. Ficava pensando que a culpa era minha por ter me colocado nessa situação", disse ao jornal americano.

Svetlana contou que, além dos abusos, ela também era pressionada a recrutar outras modelos condizentes com o perfil desejado por Epstein. Para a modelo, a parte mais difícil de lembrar de tudo o que aconteceu é se dar conta que a própria dor a impedia de enxergar a dor de outras pessoas que viriam a se envolver com o abusador.

"Sinto vergonha e penso naquelas outras mulheres o tempo todo. Essa é a parte mais difícil de tudo isso . Eu estava tão consumida pelo meu próprio abuso que não conseguia enxergar além dele", disse.

A russa revelou que o controle exercido por Epstein chegava a todos os âmbitos de sua vida. O abusador a ajudou a obter um visto americano através de acordos com um ex-ministro da Rússia que, à época, trocou cartas com o milionário acerca do pedido de imigração. Ele também a alojou em um prédio em Manhattan, em Nova York (EUA), juntamente com outras mulheres aliciadas por ele.

O contato com integrantes do governo russo deixou a modelo ainda mais assustada com a rede de influência de Epstein. Segundo ela, o sentimento era de que o milionário poderia fazer qualquer coisa com a família dela caso ela o desafiasse.

O abusador também controlava o dinheiro de Svetlana. A modelo e familiares recebiam uma espécie de "mesada" em que todas as despesas eram rastreadas, os gastos quantificados, gerando, posteriormente, uma espécie de dívida listada, que reforçava o sentimento de dependência financeira com o abusador.

Além disso, Epstein também mantinha a modelo e outras jovens aliciadas iludidas com potenciais empregos lucrativos. Ele fazia promessas que nunca se concretizavam e culpava as mulheres por não serem boas o suficiente.

Andrew Mountbatten-Windsor e Lord Peter Mandelson de roupão, ao lado de Jeffrey Epstein

AFP

Svetlana voltou a ser procurada e lembrada como uma das vítimas de Epstein depois da divulgação de milhares de e-mails em janeiro deste ano. O nome dela apareceu com erros de digitação em muitas mensagens, incluindo em conversas com o ex-príncipe Andrew e Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.

Epstein está vivo?

Em agosto de 2019, o financista foi encontrado morto na cela em que estava preso em Manhattan, um mês após ter sido preso sob acusação de tráfico sexual envolvendo menores. Após uma investigação extensa, o Departamento de Justiça americano e o FBI concluíram que Epstein cometeu suicídio.

Apesar disso, na internet algumas teorias afirmam que o abusador continua vivo. Vídeos gerados com IA tentam causar alvoroço, mas rapidamente são desmentidos com a utilização de ferramentas de busca reversa.

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Um vídeo com um sósia do milionário dirigindo na Flórida (EUA) também viralizou na última sexta-feira (13/3). Obviamente, não era o magnata.

Nos últimos meses, o Departamento de Justiça dos EUA liberou um grande número de documentos que mostram as relações entre Epstein e celebridades da política, do entretenimento e das finanças, de Michael Jackson a Donald Trump.