Os dois enviados especiais do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, visitarão a Rússia e a Ucrânia no fim de semana, segundo informações divulgadas pela agência estatal russa Tass. O objetivo seria negociar o fim da guerra iniciada em 2022. O Kremlin não quis comentar. Leia também: Ataque da Rússia com drones deixa 10 feridos em prédio de Kiev Rússia anuncia fechamento de centros alemães em resposta a acusações de ataques
A última vez em que os enviados dos Estados Unidos visitaram Moscou foi em janeiro, quando mantiveram quatro horas de conversas durante a noite com o presidente Vladimir Putin no Kremlin.
“Eu não faria nenhum anúncio neste momento, mas informaremos a vocês quando esses contatos ocorrerem”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas, ao ser questionado sobre a reportagem da Tass.
Witkoff e Kushner ainda não visitaram a Ucrânia, mas o presidente Volodymyr Zelensky afirmou na quinta-feira que os representantes de Trump eram esperados em Moscou e Kiev nos próximos dias.
Uma fonte a par do assunto disse à Reuters que as discussões sobre a parte da viagem à Ucrânia ainda estavam em andamento e que as equipes haviam discutido o domingo como uma possível data.
“Os russos não querem que eles visitem Kiev e estão tentando fazê-los mudar o plano”, acrescentou a fonte.
Ainda há uma enorme distância entre Rússia e Ucrânia sobre como encerrar a guerra, que já dura quatro anos e meio e é a mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Peskov afirmou que a posição apresentada por Putin em um discurso há dois anos — de que a Ucrânia deveria ceder a totalidade do território de quatro regiões reivindicadas pela Rússia e abandonar seu plano de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — era “inabalável”.
A Ucrânia se recusa a entregar territórios que conseguiu defender a um custo enorme e rejeita essas condições por considerá-las equivalentes a uma rendição.
Putin afirmou na quinta-feira que havia uma possibilidade de chegar a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. Ele acrescentou, porém, que o alerta feito por Kiev nesta semana para que companhias aéreas estrangeiras evitassem o espaço aéreo russo equivalia a uma ameaça que tornaria as negociações mais difíceis. Presidente da Rússia , Vladimir Putin, participa de uma reunião com o enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump, Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner e Josh Gruenbaum, comissário do Serviço Federal de Aquisições dos EUA, no Kremlin Reuters
As últimas negociações entre Rússia e Ucrânia mediadas pelos EUA ocorreram em fevereiro, pouco antes de Washington e Israel iniciarem uma guerra contra o Irã.
Peskov afirmou que não se pode descartar a possibilidade de, no futuro, chegar a um acordo de paz, mas que neste momento não existem as condições necessárias para isso.
“O trabalho continua, e os contatos continuam”, disse.
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