Entrou na aula rígida e saiu “reconfigurada”: o que é aeropilates e por que melhora o equilíbrio
— Entrei na aula com os ombros até as orelhas e rigidez nos quadris; 45 minutos depois, senti como se meu corpo tivesse sido reconfigurado: postura, coluna vertebral e quadris respiravam aliviados, sem desconforto, após todos os alongamentos e posturas que a sessão de aeropilates exigiu de mim — detalha a escritora especializada em bem-estar, em uma coluna de opinião para a Marie Claire, Rebecca Shepherd.
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Ao contrário do tipo tradicional de pilates que é feito no reformer, nesta variante os exercícios desafiam a gravidade e o elemento principal utilizado é uma rede na qual o aluno se pendura.
— Eu achava que poderia fazer isso? No início, não. Mas ouvi o instrutor e tentei sob sua supervisão. As imagens não mentem. Isso me mostrou que o corpo pode ser capaz de fazer coisas novas (e complicadas) — conclui Shepherd em sua avaliação da prática.
O Aeropilates replica os mesmos princípios do método criado por Joseph Pilates — originalmente chamado de "Contrologia" — na década de 1920: os movimentos devem ser lentos, o core deve permanecer contraído em todos os exercícios e a respiração e a postura devem ser controladas. Mas o Aeropilates também se inspira na acrobacia e nas artes aéreas, com o uso de tecidos suspensos ou aparelhos similares que permitem uma maior amplitude de movimento e alongamentos mais profundos.
O que mais atrai seus praticantes? O quanto uma aula pode ser divertida.
— É uma atividade muito divertida e intensa. Serve para variar e sair da monotonia do exercício no reformer — afirma a instrutora de aeropilates, pilates reformer e pilates mat no Instituto Avatar de Buenos Aires, Myriam Iriarte.
Aeropilates: diferenças em relação ao yoga aéreo, ao pilates tradicional e à academia.
Em relação à diferença com o pilates clássico, Iriarte menciona que a variante aérea trabalha ainda mais o equilíbrio e a concentração. Além disso, ela detalha que os movimentos e exercícios do reformer podem ser replicados da mesma forma no balanço: agachamentos, lunges e o plus das invertidas — aquelas em que a cabeça fica abaixo do coração, muitas vezes elevando as pernas para desafiar a gravidade. Isso, ela menciona, ativa a circulação sanguínea e descomprime a coluna.
Com o aeroyoga, as semelhanças visuais são muitas, mas a disciplina em si é diferente. Silvina Gouberian, instrutora de ioga, destaca que, em sua atividade, os exercícios são feitos contra a parede e com um arnês, em vez de um balanço.
— Usamos muito a parede para fazer as asanas, o que nos dá mais estabilidade — pontua.
Questionada sobre a diferença entre o aeropilates e os exercícios típicos de academia, Iriarte é categórica:
— Aqui não medimos pela quantidade de repetições nem buscamos fatigar os músculos. Em uma aula, trabalha-se todo o corpo; não existe a metodologia do “localizado”. Para conseguir isso, fazem-se posturas e contraposturas — explica.
Efeitos no corpo e na mente
Por ser um elemento instável, a rede obriga os músculos profundos do núcleo a estarem constantemente ativados para manter o equilíbrio e o controle.
Javier Furman, fisioterapeuta e cofundador da Furman Salud, acrescenta que é um método benéfico para gerar distração articular, embora ressalte que depois deve ser complementado com treinamento de impacto ou com estímulo mecânico de compressão para que se gere a tão desejada “difusão de nutrientes”.
No estudo “Diferenças na atividade eletromiográfica abdominal no treinamento do core”, compararam exercícios tradicionais (como abdominais no chão) com exercícios em sistemas instáveis ou com dispositivos que geram instabilidade (como é o caso do aeropilates) e observaram que a demanda dos músculos estabilizadores profundos aumentava para que o corpo estabilizasse mais o tronco. Isso se traduziu nos participantes em um core e uma zona abdominal mais fortes.
— Também é útil como estímulo hormético, ou seja, expõe o corpo a algo a que não está acostumado — acrescenta Furman. Além disso, ele acrescenta que a suspensão no ar pode contribuir para o alívio de dores frequentes, como lombalgia e cervicalgia. Dependendo do diagnóstico e do profissional, ele ressalta que é uma atividade que pode ser indicada para pacientes com hérnias de disco, patologias da coluna e do joelho.
Quanto aos seus efeitos no cérebro, Iriarte garante que o desafia constantemente:
— Os alunos devem alinhar sua respiração com o movimento e manter a consciência de sua posição corporal no espaço. A conexão mente-corpo se torna ainda mais forte. A atividade ajuda a sair da mentalidade do exercício monótono, regido por cargas de peso e repetições. Aqui, o fundamental é que eles se divirtam enquanto treinam, que seja lúdico — explica.
Embora os estudos sobre o pilates aéreo sejam escassos em comparação com outras disciplinas, um artigo publicado no Journal of Morphology and Kinesiology conclui que o fitness aéreo pode ser uma atividade recreativa eficaz para “manter níveis mais elevados de flexibilidade, equilíbrio, aptidão cardiorrespiratória e força”.
Segurança e cuidados
Para Furman, trata-se de uma atividade eficaz para pessoas que têm uma base de treinamento físico.
— Eu não recomendaria para pessoas com mais de 80 anos, crianças, sedentárias ou com pouco controle motor ou acima do peso. Se o fizerem, é muito provável que se machuquem — ressalta.
Também é importante ter em conta que o aeropilates exige uma boa instrução e supervisão para garantir a segurança do aluno.
— É preciso estar sempre a ser monitorizado por um instrutor certificado que, além disso, saiba explicar bem a técnica das posturas e indicar correções — diz Iriarte.
