Entrevista: ‘Sou mulherengo até hoje. Estou solteiro, tenho esse direito’, diz Romário

 

Fonte:


Tetracampeão com a seleção brasileira, eleito melhor jogador do mundo no mesmo ano de 1994, vencedor de diversos títulos com PSV, Barcelona, Flamengo e Vasco. Romário não só tem autoridade para falar de futebol. Tem também personalidade para dizer o que pensa, sem rodeios. É isso que ele vai fazer a partir de amanhã aqui no EXTRA. É isso mesmo! O Baixinho é o novo colunista do Jogo Extra. Vai trazer seu bom humor e as polêmicas de sempre para as páginas em uma coluna semanal: “Romário na Área”. Já no esquenta para a estreia, ele deu uma longa entrevista ao jornal, em sua mansão na Barra, que foi dividida em três partes. Na terceira e última, o assunto é... Romário!

Sua imagem de jogador polêmico é justa ou exagerada?

Sempre fui. Tenho consciência.

As redes sociais melhorariam ou piorariam essa imagem?

Piorariam, no sentido de ser mais polêmico. Mas não para mim, acho que me ajudaria. Se o Romário polêmico fosse ruim, eu não estaria onde estou, nem teria conquistado o que conquistei. Não seria presidente do America, não teria a RomárioTV (no Youtube), não seria senador. Vejo isso como positivo.

Romário é presidente do América

Alexandre Cassiano

Teria muitos haters hoje se ainda jogasse?

Sim. Já tenho. Teria um pouco mais.

E você rebate?

Rebatia muito, mas o pessoal do meu gabinete lá de Brasília pede para eu pegar leve. Nos últimos dois anos estou pegando leve. Porque “vai tomar no cu” e “vai se foder” era direto. Eu que respondia. Diminuí, não parei. Era “vai tomar no cu”, agora é “VTNC”. Mudei. Tô mudando.

Por que hoje é mais difícil ver jogadores assim, autênticos, cujas falas repercutam tanto?

Essas mídias sociais têm um peso muito maior do que qualquer outra coisa hoje em dia. Muitos desses jogadores são meio robotizados para dar entrevista. E eles têm um grupo com advogado, de comunicação, enfim. O entorno deles passa mais ou menos uma resposta que não pode ser dada, palavras que têm que deixar de ser usadas. Isso tem feito com que esses jogadores percam um pouco a personalidade, a autenticidade. Sempre fui polêmico, é verdade, mas sempre fui um cara muito autêntico. Nunca pedi para separar perguntas quando dava entrevistas.

Se tivesse um assessor de imprensa para fazer media training contigo, daria certo?

Cara, acho que não ia dar certo. Também não ia mandar tomar no cu porque ele trabalharia para mim, não ia ser legal (risos).

Falando em imagem, como tem se cuidado?

Sou um cara muito saudável, pratico esportes, estou sempre fazendo exames necessários. Estou num momento da minha vida muito legal.

Há dez anos você fez uma cirurgia controversa...

Interposição ileal é o nome. Eu era diabético e estava um pouco acima do peso. Tinha parado de jogar pesando 75, 74 kg. Quando fiz a cirurgia estava com 80, 81kg. Depois dela, perdi muito peso, 27kg, e a galera andou até pensando que eu estava meio fodido com essa doença aí que não gosto nem de falar o nome. Mas recuperei um pouco mais da metade disso. E o mais importante, não sou mais diabético. Minha glicose batia 480. Hoje, fica entre 90 e 105. Estou saudável e curado.

Comia muito doce?

Caralho, até hoje. Um dos objetivos da cirurgia era poder continuar comendo doce. E continuo comendo. Não como antes, mas continuo.

Envelhecer te assusta?

Do jeito que estou envelhecendo, não. Claro que eu me cuido mais que antes. Tento melhorar minha alimentação, mas o resto é o dia a dia e vai embora. Estou muito feliz com meus 60 anos.

Como se sente depois de ter se tornado um idoso?

Mais experiente. Inclusive estou usufruindo disso: parando nos lugares de idosos no estacionamento, entrando na fila de idoso no aeroporto. Já que sou idoso, tenho que carregar a fama real, então vou botar na prática.

Não vai falar que está entrando no ônibus de graça.

Não, ainda não. Mas, se estiver perto de um ônibus e tiver esse benefício, qual o problema? Não me sinto idoso, mas sou idoso. Não adianta querer escapulir disso ou fingir que não. Tenho 60 anos, sou idoso e é isso. Problema nenhum. Mas vou te falar: tem um monte de mais novinho aí que, porra… A disposição que eu tenho, poucos têm.

Em que sentido?

No sentido de praticar esporte. Jogo quatro, cinco partidas sem parar. Às vezes jogo oito partidas sem sair da quadra de futevôlei. Gosto de malhar. E gosto da noite. Curto hip hop, rap, tenho ido a pagode. A galera tá sempre vindo aqui para minha casa. Eu gosto de viver. Sou solteiro e vivo minha vida feliz.

Renato Gaúcho disse que já ficou com cinco mil mulheres. E você?

Cinco mil, não. Menos. Não cheguei a cinco mil, não.

Romário entrevistou o amigo Renato Gaúcho para seu programa na RomárioTV

reprodução/ instagram

Mas a fama de mulherengo é real.

É, eu sou mulherengo até hoje. Estou solteiro, tenho esse direito.

Ainda pode se casar de novo?

Olha, já me casei três vezes. A quarta não é impossível.

Filhos?

Não, filho, não. Já tenho neto. Mas (casar) uma quarta vez, quem sabe?

Como você era como marido?

Uma merda, horroroso.

E se casaria de novo?

Mas já passou, já aprendi. Errar quatro vezes é foda. Ser burro quatro vezes não dá.

E como é como ex-marido?

Sou parceiro delas todas. Sou muito maneiro. Fui uma merda como marido, mas como ex-marido sou melhor.

Como é como pai?

Porra, eu me sinto um paizão. A relação com meus seis filhos é de amizade. Com a vida de jogador, não consegui pegar muito os primeiros anos dos três primeiros (Moniquinha, Romarinho e Danielle). Com os outros três (Raphael, Isabella e Ivy) já foi melhor. Hoje minha relação com eles, porra, é do caralho, saímos para curtir, estão sempre aqui. Essa casa é grande por causa deles.

Romário reúne os seis filhos em sua festa de 60 anos

Fares Rames

Consegue ser avô presente?

Acredito que sim. Quase todos os fins de semanas em que estou em casa, estou com meus netos. A gente toma banho de piscina, joga bola, futevôlei, vai pro shopping… Shopping é foda. Uma vez fui pro shopping com os três e deu uma merda do caralho.

O que aconteceu?

Entrei na loja, era para eles entrarem, daqui a pouco… cadê eles? Os moleques sumiram, maluco. A sorte é que tinha um senhorzinho de 62 anos (risos), que falou: “senador, passo por isso também, tenho dois netos. Vamos atrás”. Ele me ajudou e consegui juntar eles de novo.

Está em paz?

Amém, estou muito em paz. Papai do céu me tornou um cara menos egoísta, mais “ouvido”. Hoje, procuro me inteirar mais das pessoas. Me refiro ao Senado, ao América, à RomárioTV. Acho que deixei as pessoas participarem um pouco mais da minha vida para me ajudar naquilo de que preciso. E essa decisão tem sido muito boa.

Falta alguma coisa? Tirando um título com o America…

Tá aí, como presidente do America falta um título. Como apresentador da RomárioTV, a gente vai para a Copa, e espero que tenha um sucesso foda. Como Senador, que venha na minha cabeça leis que melhorem a qualidade de vida do brasileiro, especificamente das pessoas com deficiência ou doença rara. Como pai, quero continuar sendo bom de onda com meus filhos. Como avô, continuar dando amor e carinho aos meus netos. E, como um cara que gosta de viver, continuar vivendo com muita saúde, paz e feliz.