Entrevista: 'Ninguém caiu de paraquedas, me preparei para estar senador’, afirma Portinho; assista - QTU Questões do Universo

Entrevista: 'Ninguém caiu de paraquedas, me preparei para estar senador’, afirma Portinho; assista

Fonte: Bandeira da fonte

Nesta semana, o GLOBO mostra as ideias e propostas dos principais candidatos às duas vagas para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro.
Candidato à reeleição, o senador Carlos Portinho (PL) trata sobre a aproximação com o bolsonarismo e a defesa de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Assista à entrevista:
O senhor chegou ao Senado pelo PSD.
Era suplente de Arolde de Oliveira, que morreu em 2020.
Hoje se apresenta como bolsonarista.
Quem mudou mais, o PSD ou Portinho?
Logo que assumi, enxerguei que o PL era um partido onde teria mais espaço.
Eles tinham apenas dois senadores.
O PSD tinha 15, e eu não tinha espaço nenhum.
Na época, é bom dizer, o presidente Bolsonaro nem estava ainda no PL.
Ou seja, foi para o PL de Valdemar Costa Neto, não para o PL de Jair Bolsonaro.
Exatamente.
E fui bem recebido.
O combinado era ser líder por um ano, e já sou há seis.
Também fui líder do governo Bolsonaro.
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No Rio, o senhor foi secretário nas gestões de Pezão, Paes e Crivella.
Como explica tantos saltos de galho em galho na política?
Na verdade, não dei grandes saltos.
Fiquei 11 anos no PSD.
Houve uma composição na época do Pezão, e o partido teve espaço no governo.
Todo mundo começa de alguma maneira.
Depois houve uma composição com Eduardo Paes.
Com Crivella, também.
Política é construir pontes.
Como advogado de direito esportivo, aprendi que não existe inimigo, existe adversário.
É bom que se diga que o PL também mudou bastante.
Até tirou a cor vermelha da logomarca...
Exatamente.
A gente evolui na vida.
Fui líder do Bolsonaro, ele me deu essa missão.
E foi um governo transformador.
O governo Lula teve quatro temas: jogo, aborto, drogas e imposto.
Apesar de já estar no Senado, o senhor foi excluído da chapa original do PL.
O partido não acreditava na sua reeleição?
Não tenho nenhum constrangimento quanto a isso.
Minha trajetória política não foi fácil.
Ninguém caiu de paraquedas.
Me preparei para estar senador e me posicionei para a reeleição.
Quando Flávio Bolsonaro me procurou, disse que ele precisava compor com outros partidos e abri mão da minha vaga.
Depois (que Cláudio Castro desistiu de disputar o Senado), acho que minha lealdade me premiou.
Como defender o legado de um grupo envolvido em tantos escândalos como o PL do Rio?
Não preciso defender o legado dos outros.
Nunca participei do governo Cláudio Castro.
Não sou o tipo de político que fica brigando para ter uma secretaria, um carguinho.
Cada um tem seu CPF, e o meu é absolutamente limpo.
O senhor tem pressionado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a abrir processos de impeachment contra ministros do STF.
A que atribui a resistência dele?
O Senado foi capturado pelo Judiciário.
O STF se distanciou da sociedade porque dá habeas corpus a torto e a direito para bandido, estuprador, narcoterrorista.
A sociedade não compreende isso, mas metade dos senadores tem rabo preso.
E a outra metade quer ser amiga do rei.
Está havendo uma chantagem e uma intimidação, inclusive contra o presidente do Senado, para que não abra os processos de impeachment.
Com a vitória de Flávio Bolsonaro, espero que Alexandre de Moraes pegue suas coisas, saia pelos fundos e vá responder aos processos dele.
Senão, o caminho será o do impeachment, o que vai causar uma grave instabilidade política.
Por que defender anistia para quem tentou dar um golpe de Estado no país?
Houve uma grande revolta popular, não um golpe.
Não acredito que o general Braga Netto fosse dar um golpe de táxi.
A gente tem que olhar para a frente.
A anistia serve para isso, para pacificar o país.
Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro.
Ele também não precisa se explicar?
Foi uma relação privada, não houve uma troca.
É diferente da relação do Alexandre de Moraes, em que foi vendida proteção ao investigado.
Gosto de lembrar o caso do Eike Batista, que era um grande empresário, um visionário.
Quando ele se imiscuiu na política, a gente viu todo um escândalo de corrupção.
Mas um senador não é um agente privado.
É um homem público.
Sim, mas se ele pedisse de volta algum favor ou valor, ou se ganhasse uma comissão, talvez a situação ficasse um pouco mais complicada.
O caso do Moraes é coisa de máfia.
O cara paga para ter proteção, da mesma maneira que a gente está vendo parlamentares serem intimidados porque têm rabo preso.
A coisa pública é o que importa.
Eu me relaciono até com gente que não conheço.
A gente vai ao evento, tira foto...
em campanha então, é uma loucura.
Você tira foto com qualquer um que aparece.
O senhor já tirou foto com Vorcaro?
Não.
Acho que devo ser o único da República que não tem o telefone dele.