Entrevista Elmano de Freitas: 'Ciro Gomes virou um apêndice do bolsonarismo'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Candidato à reeleição no Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) reforça discurso de segurança em entrevista o GLOBO. O petista também acusa o rival Ciro Gomes (PSDB) de tentar enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste para ajudar a direita. No Ceará: Justiça dá direito de resposta a Ciro por propaganda na qual Elmano o associa a Jair Bolsonaro Sob pressão nas pesquisas: Lula amplia embate com Flávio e critica postura de adversário em relação aos Estados Unidos As pesquisas mostram que seu governo é bem avaliado, mas Ciro Gomes (PSDB) está à frente em intenções de voto. Por quê? Isso é normal, ao longo da campanha você vai esclarecendo as suas realizações. A eleição do Ceará tem dois projetos bem definidos: tem a candidatura do Flávio Bolsonaro (presidenciável do PL), e todos eles estão com o Ciro; e tem a candidatura (à reeleição) do Lula (PT), conosco. Aliados de Ciro, como o irmão dele, Ivo Gomes, fazem campanha pelo voto Lula-Ciro. Como impedir essa vinculação? O povo sabe, e nós vamos lembrar, qual é a opinião que Ciro apresentou sobre Lula, sobre o PT. Ciro hoje é um quinta coluna do bolsonarismo. Ele se transformou em apêndice do bolsonarismo, e é candidato a governador para tentar enfraquecer Lula no Nordeste. Em 2024, Ciro votou no candidato do Bolsonaro na eleição de Fortaleza, contra um candidato do campo progressista (Evandro Leitão, do PT, que foi eleito). Ele já tinha dado essa pista em 2018, quando foi para Paris no segundo turno. Essa eleição vai deixar claro que Ciro abandonou o campo democrático para dar verniz à extrema direita, e ele será desmoralizado por essa postura. Há o eleitor que vota pensando na eleição nacional, mas outros votam pensando no estado mesmo. Nos últimos anos, houve certa continuidade no Ceará entre Ciro, os ex-governadores Cid Gomes e Camilo Santana e o senhor. Esse eleitor não pode pensar que dá no mesmo? Não é a mesma coisa, e vamos comparar as experiências. Ciro, por exemplo, nunca fez uma escola de tempo integral no Ceará. Ele se apresentou ao Brasil citando coisas do Ceará que ele não fez. É, na verdade, um projeto que se inicia com Cid, que Camilo deu continuidade, e que agora estou fazendo um investimento para ampliar. Violência será um tema forte nesta eleição no Ceará, com o avanço das facções criminosas. Esse é um tema que exige a participação do Executivo federal e também do Judiciário, a quem cabe decidir sobre prisões de faccionados. Tornou-se um desafio nacional. No Ceará, reduzimos homicídios e aumentamos o efetivo da polícia, mas os chefes de facção fugiram daqui e estão todos no Rio de Janeiro. O Rio virou o comando central do crime organizado no país, de onde saem ordens para o cometimento de crimes aqui no Ceará. Um episódio em que isso ficou claro foi quando a Justiça Eleitoral cassou, no ano passado, o prefeito de Santa Quitéria, por enviar emissários ao Rio para negociar apoio do Comando Vermelho. Esse prefeito era do PSB, partido da sua coligação. Como seu grupo político vê esse caso? O que tem que ser feito é não passar a mão na cabeça de ninguém. Se tem envolvimento de alguém da política com o crime, vai ter que responder por isso. No município que você citou, o PT lançou candidato contra esse prefeito. É preciso ter cautela e separar o joio do trigo, e também reformular as leis, para se investigar com a rapidez necessária. Senão fica a impressão de que a autoridade policial só existe descumprindo a lei ou violando o direito individual de alguém. Precisamos inverter essa lógica da desconfiança permanente. O senhor tem defendido ostensividade policial, um discurso que não é tão comum em políticos mais à esquerda. Como o senhor defenderá esse enfrentamento na campanha? Hoje o que temos no país não é o bandido que rouba por passar fome, mas sim organizações criminosas movimentando bilhões, com chefes que moram em mansões e aliciam jovens para carregar drogas. Por isso temos que ter muita dureza no combate às facções, seja no andar de cima, seja com quem está lá na ponta ameaçando o cidadão. A regra fundamental é o cumprimento da legalidade. O policial tem a obrigação de agir diante de uma cena criminosa. No Ceará, não temos algo como o que acontece no Rio, alguém o dia inteiro com um fuzil no meio da rua, mas quando temos informação de algo do tipo, a orientação é ir para cima e prender. E se a pessoa reagir, o policial tem de fazer o confronto, e que morra o bandido. Por isso editei decreto no Ceará para que o policial, nesses casos de morte em conflito, seja descrito como “interventor”, e o bandido agora consta como “oponente” em vez de “vítima”. O ex-governador Camilo Santana deixou o Ministério da Educação no início do ano e estava cotado para concorrer no seu lugar. Por que isso não aconteceu? Porque o melhor candidato para ser governador do Ceará sou eu, pela quantidade de realizações que fizemos e também pela crença de que é muito importante a renovação de lideranças. Eu pedi a Camilo para se desincompatibilizar porque sabia da importância da liderança dele aqui conosco na campanha.

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