Entrevista: 'Eleitor de centro vai comparar os governos Lula e Bolsonaro e definir a eleição', diz Fufuca
Integrante da barca que deixou o governo para fortalecer os palanques estaduais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro do Esporte André Fufuca afirmou que a campanha à reeleição precisa comparar a gestão petista com a do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que o eleitor de centro é que vai definir o pleito.
— Quem vai definir é o eleitor de centro, porque vai fazer a comparação entre os dois governos, de Lula e Bolsonaro. Vai comparar quem fez e quem não fez, o que avançou ou não, quem tem a menor taxa de desemprego, a menor inflação da História, o ganho real no salário mínimo... Comparando, o governo do presidente Lula está anos luz à frente do adversário — disse.
Fufuca disse ainda que há falhas de comunicação do governo na condução da crise provocada pelo caso Master e tenta se desvencilhar do senador oposicionista Ciro Nogueira, presidente do seu partido e próximo a Vorcaro. "Passei mais de ano sem falar com ele (Ciro). Hoje a gente conversa, mas não como era antigamente", disse Fufuca.
Caso a federação União-PP se alie ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial, pode agregar sete minutos de tempo na TV, enquanto Lula teria em torno de três minutos. Como evitar que isso aconteça?
Trabalharei para dar as melhores condições possíveis para o presidente Lula dentro da federação. Tenho o controle dela? Não. Falo como um deputado federal, não como alguém que vai participar da coordenação e resolver isso. O presidente Lula tem muita coisa para mostrar. O adversário vai ter dificuldades se tiver muito tempo. Quando o Brasil for comparar as duas gestões (Lula e Bolsonaro), é uma distância abissal.
O que justifica o crescimento da candidatura do Flávio então? Já há empate técnico com Lula nas pesquisas a depender do cenário.
É natural no país polarizado. O crescimento é normal. Quem vai definir é o eleitor de centro, porque vai fazer a comparação entre os dois governos, de Lula e Bolsonaro. Vai comparar quem fez e quem não fez, o que avançou ou não, quem tem a menor taxa de desemprego, a menor inflação da História, o ganho real no salário mínimo... Comparando, o governo do presidente Lula está anos luz à frente do adversário (Flávio).
Como Lula vai trazer esse eleitor?
Esse eleitorado vai analisar o que é melhor para o Brasil. O que tem resultado concreto. Não é o oba oba, selfie ou que está viralizando. No Brasil real, quem tem apresentado soluções é o presidente Lula.
E como superar a estratégia de Flávio de afirmar que Lula está desgastado?
O presidente Lula corre todos os dias cinco quilômetros, malha de domingo a domingo... Achar que ele não tem físico para disputar a eleição é uma loucura. Está bem fisicamente, mentalmente e com disposição. Conhece a máquina e os problemas reais do Brasil. É bastante temerário apostar em alguém que não conhece a realidade do país e que é o espelho do que foi o governo passado.
Lula terá também que disputar o eleitor de centro com o ex-governador de Goías, Ronaldo Caiado (PSD). Qual será o efeito na campanha?
Numa polarização, o efeito será o mesmo de uma âncora de um barco em uma área sem água. Nenhuma, né? A eleição vai terminar com o Caiado sem essa desenvoltura que ele espera que terá. E se ele for tirar votos de alguém, será do Flávio, não do Lula. O eleitorado dele é parecido com o Flavio. Caiado tentará furar a bolha da direita, do lado do Flavio.
O PSD foi partido que mais elegeu prefeituras em 2024. A legenda tem capilaridade pelo país. Isso pode beneficiá-lo? Qual peso do PSD nessa eleição?
O PSD é o maior partido na Bahia, por exemplo, e Caiado não será nem o primeiro nem o segundo presidenciável mais votado da Bahia. Essa verticalização não existe na base. Ele será o candidato do PSD, mas não tem a alma do partido, não ajudou a eleger prefeitos e não tem afinidade com os candidatos que os prefeitos já tem. A afinidade deles (dos prefeitos) é popular e não partidária. No Piauí, é a mesma coisa. Acho improvável que os prefeitos façam campanha para o Caiado. A preocupação do Kassab será aumentar bancada. A afinidade é política.
A estratégia do governo para lidar com a crise do Master foi adequada?
Se houve algum problema, é na comunicação, mas a intenção é favorável ao aprofundamento das investigações. Foi o governo que mostrou ao Brasil o que estava sendo feito.
Isso vai afetar o governo na eleição?
É imprevisível o que pode vir. O principal interessado em mostrar a verdade é o governo, que não teme nem deve nada. Há declarações dos principais personagens do governo a favor de reconhecer e punir os culpados.
Vorcaro chama o senador Ciro Nogueira, aliado do senhor, de "grande amigo" em mensagens. Como isso afeta a imagem do senador e do PP, seu partido, para a eleição?
Não tenho conhecimento da amizade dos dois.
Ciro Nogueira apresentou a emenda que ajudaria o Master se tivesse sido aprovada no Congresso. Ele atuou para beneficiar o Vorcaro?
Não tenho conhecimento disso. O presidente (do PP) Ciro tem uma lista enorme de trabalhos prestados pelo Piauí e pelo Brasil.
Ele explicou ao PP a relação dele com Vorcaro?
Eu estava no ministério e até poucos dias atrás afastado do partido, sem diálogo. Foi o presidente Ciro que me tirou da presidência estadual (no Maranhão) e da vice-presidência nacional do partido. Passei mais de ano sem falar com ele. Hoje a gente conversa, mas não como era antigamente.
O senhor disse que seria a ponte entre Lula e Ciro Nogueira e aconteceu uma reunião entre eles dois no fim do ano passado. Como está essa relação?
Se houve, eu não tive conhecimento. Conhecendo o caráter fraternal dos dois, seria possível. Pelas condições de hoje, acho complicado (uma reaproximação). O Ciro tem um posicionamento definido há mais de dois anos, mas na política tudo pode acontecer.
Em quantos estados PP estará com Lula?
Falo pelo Maranhão. Serei cabo eleitoral e estarei com o presidente Lula em qualquer hipótese. Há outros estados em que a gente vê uma aproximação maior do PP, como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
O senhor deve disputar uma vaga ao Senado e o bolsonarismo virá com uma plataforma de campanha de impeachment de ministros do Supremo. Como candidatos de centro vão enfrentar isso?
O Brasil não pode pautar uma eleição em quem é a favor ou contra o impeachment do ministro do STF. A gente tem que pautar uma eleição porque é contra e a favor dos problemas que o povo enfrenta no dia a dia. Se eles querem esquecer os problemas nacionais para focar naquilo que vai dar engajamento em rede social, tudo bem, mas a minha é a pauta social.
O senhor foi criticado por priorizar Maranhão nas obras do Ministério do Esporte. Houve foco eleitoral na sua atuação?
Quem faz esse tipo de menção não conhece a quantidade de ações que nós temos. O ministério hoje tem mais de 2.900 obras em andamento. Se você for ver a quantidade de obras no Maranhão, talvez não seja 5% disso. Há estados com muito mais obras e investimentos.
O senhor assumiu o Ministério do Esporte sob desconfiança após a saída da Ana Moser. O que acha que foi a principal marca da gestão?
A democratização de estruturas esportivas de qualidade. Quando assumi o ministério, nós tínhamos 500 obras paradas. Nós entregamos mais de mil obras nesse período . Também criamos programas que até então só existiam no papel e que hoje beneficiam milhares de famílias em todo o Brasil.
