Entre visitas a hospitais e escolas, ‘Superman brasileiro’ é recebido por rei em Gana; entenda

 

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Em meio a tecidos tradicionais e conselheiros da corte, o traje azul e vermelho inspirado na versão clássica de Christopher Reeve destoava no palácio de Kumasi. Foi assim que Leonardo Muylaert, conhecido nas redes como “Superman brasileiro”, foi recebido pelo rei Otumfuo Osei Tutu II, durante visita a Gana, em novembro.

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— Foi surreal. A gente leva leveza para os lugares, mas ali era outro patamar. O rei me tratou com dignidade, respeito e curiosidade. Eu senti que ele entendia que o que importa não é o traje, mas a mensagem que a gente leva — afirmou ao GLOBO.

Leonardo permaneceu sete dias no país, entre 8 e 14 de novembro, visitando escolas, hospitais oncológicos e projetos sociais. O encontro com o monarca foi o ponto alto de uma agenda construída com o mesmo propósito que o acompanha desde o início: usar a imagem associada ao herói da DC Comics para promover ações de solidariedade.

De vídeo viral a símbolo de esperança

A trajetória começou de forma inesperada, em 2022, quando um vídeo gravado na CCXP ganhou repercussão nas redes. No evento, o escritor Mark Waid se surpreendeu com a semelhança do brasileiro com Clark Kent. À época, Leonardo sequer mantinha perfis ativos nas plataformas digitais.

— Eu nem tinha rede social. Demorou para cair a ficha. De repente, vi milhares de comentários dizendo para transformar aquilo em algo positivo. Eu já fazia ações sociais, mas entendi que poderia ampliar — relembra.

A partir dali, passou a investir no personagem como ferramenta de mobilização. Inspirado na fase interpretada por Christopher Reeve no cinema, adotou um tom mais leve e humanizado para suas aparições públicas. Segundo ele, a escolha é consciente.

— Se o destino me deu essa semelhança, eu preciso fazer disso algo útil — diz.

Advogado de formação, nascido na Bahia e radicado em Brasília, Leonardo concilia a rotina profissional com o projeto social que batizou de Tall Clark, referência aos 2,03 metros de altura e ao alter ego do herói. Já participou de ações com o Comitê Paralímpico Brasileiro, visitou hospitais em diferentes estados e articula parcerias institucionais, inclusive no exterior.

Apesar do alcance nas redes, ele insiste que o símbolo mais importante não está estampado no peito do uniforme.

— Ninguém precisa de capa para fazer o dia de alguém feliz — afirma.

Em Gana, diante do rei e fora do eixo tradicional das histórias em quadrinhos, a cena parecia saída de uma HQ. Para Leonardo, no entanto, o que se consolidava ali não era um capítulo de ficção, mas a confirmação de que gestos simples ainda encontram espaço no mundo real.