Entre empurrões, gritos e acusações: familiares atacam donos de boate na Suíça durante interrogatório sobre incêndio que matou 41 pessoas

 

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Familiares das vítimas do incêndio que matou 41 pessoas na boate Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, hostilizaram nesta quinta-feira (12) os proprietários do local, Jacques e Jessica Moretti, durante a chegada do casal ao Ministério Público, em Sion, para mais um dia de interrogatório. A tragédia ocorreu na virada do Ano-Novo e deixou ainda 115 feridos.

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Segundo o jornal suíço 20 Minuten, dezenas de parentes enlutados, muitos vestindo roupas com fotos de seus filhos e parentes mortos, se aglomeraram na entrada do prédio. Ao verem os Moretti, acompanhados apenas por um policial e pelo advogado, familiares avançaram, lançaram insultos e tentaram agredi-los.

— Era uma verdadeira multidão. Eles quase não tinham proteção quando a fúria explodiu — relatou um repórter ao jornal.

Entre os manifestantes estava a família de Trystan, de 17 anos, uma das vítimas. A mãe, Vinciane Stucky, afirmou à imprensa local:

— Não perdoaremos nem esqueceremos.

O pai, Christian Podoux, cobrou responsabilidade dos donos do estabelecimento:

— Quero que ela saiba o quanto feriu pais, mães e irmãos. Ela se distanciou e deixou o Constellation enquanto jovens tentavam ajudar.

Disputa de versões e acusações

Sob supervisão judicial, os Moretti são investigados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso culposo, crimes que podem resultar em até 20 anos de prisão. Durante cerca de 20 horas de interrogatório conduzidas por três promotores, a estratégia da defesa tem sido atribuir a responsabilidade pelo incêndio à garçonete Cyane Panine, de 24 anos, que morreu na tragédia.

Em depoimentos vazados, Jacques Moretti afirmou que a cena registrada em vídeo, na qual Cyane aparece carregando garrafas de champanhe com velas acesas, era “o show da Cyane”.

— Eu não a proibi. Não vimos o perigo. Se tivesse imaginado qualquer risco, teria proibido — disse ele aos investigadores.

A família de Cyane, no entanto, rejeita essa versão. Segundo a advogada Sophie Haenni, a funcionária apenas seguiu ordens da gerência naquela noite.

— Cyane desceu ao porão a pedido de Jessica Moretti para ajudar colegas, devido ao grande volume de pedidos. Ela nunca foi informada sobre o perigo nem recebeu treinamento de segurança — afirmou.

Testemunhas sobreviventes também contestam a defesa do casal, dizendo que Cyane foi incentivada a realizar a ação e obrigada a usar um capacete promocional que limitava sua visão. Documentos citados pela advogada indicam ainda que a jovem enfrentava jornadas exaustivas e conflitos com os empregadores, a quem teria procurado órgãos de proteção ao trabalhador.

A tragédia atingiu majoritariamente adolescentes e reuniu vítimas de 19 nacionalidades, incluindo suíços, franceses e italianos. O Ministério Público do cantão de Valais informou que o processo já reúne quase 2.000 páginas e mais de 8.500 documentos, com 263 partes civis representadas por 74 advogados.