Neste domingo, 25, milhões de brasileiros devem retornar às urnas para escolher quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos. A política tem conquistado um espaço cada vez maior no cotidiano da população, embora as discussões nem sempre tenham seguido um caminho saudável.
Em meio à polarização, aos ataques pessoais e à falta de debates aprofundados sobre propostas, uma questão merece atenção: a indecisão do eleitor. Entendo que exista desânimo e frustração quando o assunto é política.
Esses sentimentos não são novos, mas parecem ganhar força diante do cenário que acompanhamos nos últimos anos. Houve um tempo em que a política era vista por muitos como algo distante, técnico e burocrático.
Hoje, o assunto está mais presente nas conversas, nas redes sociais e até nas relações familiares. Mas faço um questionamento: a que custo?
Estudar determinado assunto parece ter se tornado motivo para receber rótulos. Já presenciei situações em que uma pessoa foi chamada de comunista simplesmente por gostar de história.
Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. O vermelho, que também simboliza o amor, passou a despertar hostilidade em determinados ambientes políticos.
Até mesmo vestir a camisa da Seleção Brasileira, um dos maiores símbolos da nossa identidade nacional, pode ser interpretado como manifestação de preferência por determinado candidato. Em que momento chegamos a esse ponto?
Discordar de uma ideia não deveria transformar ninguém em inimigo. Entretanto, é justamente isso que temos observado, sobretudo nas redes sociais.
A chamada “era da lacração” parece ter se tornado mais valorizada do que a apresentação de propostas concretas para o futuro do país. Viralizar por meio de uma polêmica rende engajamento, enquanto discutir soluções para problemas estruturais nem sempre desperta o mesmo interesse.
Estamos diante de uma preocupante inversão de valores. O debate político tem sido marcado, em muitos momentos, por ataques pessoais, provocações e tentativas de desqualificar o adversário.
Enquanto isso, temas essenciais, como saúde, educação, segurança pública, emprego, renda e responsabilidade fiscal, acabam perdendo espaço. O eleitor que já estava indeciso pode se sentir ainda mais distante de uma escolha consciente.
Mas essa indecisão não pode ser maior do que a vontade de construir um país melhor. E uma das principais ferramentas para participar dessa construção é o voto.
Sim, o voto! Um direito que precisa ser valorizado justamente porque a democracia brasileira enfrentou períodos de autoritarismo e restrições à participação popular. Durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, os brasileiros ficaram impedidos de escolher diretamente o presidente da República.
A repressão política, a censura e a perseguição a opositores marcaram aquele período. A retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, representou uma conquista fundamental da redemocratização.
O direito de participar das decisões políticas não surgiu por acaso. Em diferentes países, a ampliação do sufrágio foi resultado de mobilizações sociais, reivindicações e, em muitos casos, enfrentamentos violentos.
Ainda hoje, existem populações que vivem sob regimes autoritários, sem a possibilidade de escolher livremente seus governantes. Por isso, precisamos refletir sobre o valor daquilo que temos no Brasil.
Votar não significa apenas escolher um nome ou apertar alguns números na urna eletrônica. Significa participar de uma decisão coletiva que influencia os rumos do país.
Significa também assumir a responsabilidade de acompanhar, fiscalizar e cobrar aqueles que recebem a confiança da população. E aqui faço um alerta: não podemos permitir que o cansaço com a política se transforme em indiferença.
A escolha precisa considerar aquilo que cada cidadão espera para o futuro do Brasil, e não simplesmente a simpatia ou a antipatia por determinado candidato. Não estou pedindo que ninguém morra de amores por um político.
Muito menos que transforme um candidato em alguém incapaz de cometer erros. O que defendo é uma escolha baseada em propostas, trajetórias, compromissos democráticos e na capacidade de garantir os direitos previstos na Constituição Federal.
É preciso avaliar quem apresenta condições de enfrentar os problemas do país, fortalecer as instituições e colocar os interesses coletivos acima das conveniências pessoais e partidárias que tantas vezes predominam em Brasília. Também precisamos abandonar a ideia de que somente quem votou no candidato vencedor tem legitimidade para cobrar resultados.
A democracia não funciona dessa maneira. Quem votou no derrotado, quem optou pelo voto branco ou nulo e até quem se absteve continua tendo o direito de fiscalizar o poder público.
Afinal, os governantes são responsáveis por toda a população, e não apenas por seus eleitores. Isso não diminui a importância do comparecimento às urnas.
Pelo contrário. Exercer o direito ao voto, especialmente de maneira consciente, é uma forma concreta de participar dos destinos da nação.
Chega desse campo minado em que qualquer divergência se transforma em uma guerra ideológica. A sociedade não ganha com a intolerância.
Os problemas do país não desaparecem porque um lado conseguiu humilhar o outro nas redes sociais. A economia não cresce por causa de uma publicação viral, assim como as filas por atendimento médico, as dificuldades da educação e a insegurança não serão resolvidas com ofensas.
O Brasil precisa de menos hostilidade e mais responsabilidade. Menos idolatria política e mais fiscalização.
Menos disputas pessoais e mais compromissos com resultados. Neste domingo, independentemente de quem vencer, o país continuará precisando de soluções.
E a responsabilidade dos brasileiros não terminará quando o resultado das urnas for anunciado. Por isso, antes de decidir, pesquise, compare propostas, questione informações e reflita sobre o futuro que deseja para si, para sua família e para as próximas gerações.
Não permita que a desinformação, o medo ou a pressão de terceiros determinem sua escolha. A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira.
Exige que saibamos conviver com as diferenças e respeitar a vontade popular. A indecisão pode fazer parte do processo de escolha.
O que não podemos permitir é que a intolerância e a desinformação falem mais alto do que a nossa consciência democrática. Leia também: Carnaval, aborto e família: alguns obstáculos de Lula para conquistar os evangélicos
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