Entorno de Lula vê avanço de vitrines no Congresso como fôlego para sair das cordas do caso Lulinha - QTU Questões do Universo

Entorno de Lula vê avanço de vitrines no Congresso como fôlego para sair das cordas do caso Lulinha

Fonte: Bandeira da fonte

O entorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê o avanço de agenda prioritária do governo no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, como uma espécie de fôlego para a campanha do petista sair das cordas num momento de pressão pelo avanço de investigações que miram pessoas próximas ao presidente. 
Nesta quarta-feira, o presidente almoçou com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar a agenda de votações às vésperas da semana de esforço concentrado no Congresso, em que serão realizadas as últimas sessões de votação antes das eleições. 
Ao final, os três falaram à imprensa e sinalizaram que cinco propostas pedidas pelo petista serão levadas à apreciação dos parlamentares na próxima semana, numa vitória para o governo federal: a PEC da 6x1; a PEC da Segurança Pública; a medida provisória (MP) que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 250); o projeto das terras raras; e o projeto de incentivo a data centers. 
A avaliação de aliados de Lula é que a campanha do petista à reeleição ficou pressionada nas últimas semanas com as revelações das investigações no âmbito do INSS que citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu filho, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Um aliado próximo a Lula diz que esses fatos mexeram com o ambiente do entorno do presidente, deixando a campanha desorientada.
Um auxiliar do presidente diz, sob reserva, que a campanha precisa sair da defensiva e passar a pautar o debate das eleições.
Nos últimos dias, por exemplo, o PT deu comando à militância para explorar as relações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. 
De acordo com relatos, essa avaliação da necessidade de adotar uma postura mais ofensiva foi feita a Lula mais cedo nesta quarta, numa reunião com a equipe do petista que ocorreu antes do almoço entre as autoridades.
Dessa forma, o avanço dessas propostas no Congresso é um jeito de levar essa discussão para temas do dia a dia da população, que é o caminho mirado pela campanha. 
O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), responsável pela articulação entre governo e Congresso, afirma que essas votações são estratégicas para o país como um todo e para a campanha de Lula. 
— A votação dessas matérias, a começar pela PEC 6x1, é estratégica para o país e para a campanha, não tenho a menor dúvida.
Elas terão impacto muito forte na sociedade.
A população está ligada nesses temas da PEC da Segurança Pública e da PEC da 6x1— diz Guimarães. 
O entorno de Lula enxerga o avanço das medidas e sua eventual aprovação como vitrines eleitorais para o presidente.
Diante da avaliação de que a disputa à Presidência será acirrada, interlocutores do petista dizem que a aprovação de matérias de grande alcance, a exemplo da PEC da 6x1, será um trunfo para ele explorar no processo eleitoral e até mesmo uma maneira de aproximar Lula de segmentos da população que não necessariamente votam alinhados a ele. 
Nesse sentido, um integrante da campanha do presidente diz que será explorado nos próximos dias o posicionamento contrário ao avanço da PEC da 6x1 do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula no pleito, e seus aliados.
Como O GLOBO mostrou, o entorno de Flávio passou a atuar nos bastidores para barrar o andamento do tema no Congresso.
Um auxiliar de Lula diz que isso é um prato cheio para a campanha explorar a partir de agora. 
Desde o começo da semana, aliados do presidente passaram a destacar isso em falas públicas e em publicações nas redes sociais.
Grupos de apoio de Lula ligados ao PT também dispararam uma série de mensagens apontando a estratégia da oposição em barrar a aprovação da PEC 6x1. 
Apesar de Alcolumbre não ter cravado que a PEC da 6x1 será votada em plenário na próxima semana, governistas dizem acreditar que isso também deve ocorrer.
Há uma avaliação que apesar dos esforços da oposição, dificilmente senadores colocarão suas digitais contra uma matéria de grande alcance popular às vésperas das eleições.