Entidades do setor financeiro divulgam nota em defesa da autonomia orçamentária do Banco Central
Entidades representativas do sistema financeiro divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípo defendendo a autonomia financeira e orçamentária da autoridade monetária. O documento foi divulgado um dia após o bate-boca entre Gabriel Galípolo e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre a atuação do BC e o caso envolvendo o Banco Master e o BRB.
Na sessão, Renan afirmou que Galípolo teria sinalizado anteriormente apoio à operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), posteriormente barrada pelo Banco Central. O presidente da autoridade monetária rebateu a declaração, negando que o BC tenha comentado ou aprovado a transação, e afirmou que “o Banco Central não é palanque” nem deve “gravar TikTok” para responder a pressões políticas.
A nota foi assinada por 14 associações ligadas a bancos, fintechs, meios de pagamento, câmbio, criptoativos e instituições financeiras, que, juntas, afirmam congregar mais de 1,5 mil associados.
Na manifestação, as entidades afirmam que o BC enfrenta uma “urgente necessidade” de reforço no orçamento e no quadro de pessoal para conseguir acompanhar o crescimento e a complexidade do sistema financeiro brasileiro. Segundo o texto, o avanço de novas modalidades de negócios, o surgimento de novos modelos de instituições financeiras e o aumento das exigências tecnológicas ampliaram os desafios de regulação, supervisão e fiscalização do órgão.
As associações também argumentam que fortalecer a autonomia do Banco Central colocaria o Brasil “em linha com outras economias do mundo”, reduzindo a percepção de risco do país, garantindo maior estabilidade da política monetária e abrindo espaço para um sistema financeiro “moderno e atual”.
No documento, as entidades afirmam ainda que “só com um Banco Central independente, fortalecido e competente” será possível assegurar um sistema financeiro “saudável e sustentável”, capaz de evitar crises econômicas e custos adicionais à sociedade.
A nota conjunta foi assinada pelas seguintes entidades: Febraban, Abac, ABBC, ABBI, Abracam, ABCripto, Abecs, ABFintechs, Abipag, Abranet, Anef, Acrefi, APIIMF e Zetta.
