Entenda por que chavismo estabeleceu animosidade entre EUA e Venezuela e levou à captura de Maduro

 

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as Forças Armadas americanas capturaram e retiraram da Venezuela o líder Nicolás Maduro, juntamente com sua mulher, depois de lançar um "ataque em grande escala" contra a nação caribenha, na primeira ação bem-sucedida de Washington para tentar derrubar o chavismo.

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A animosidade entre os dois países começou quando o presidente Hugo Chávez, morto em 2013, chegou ao poder, transformando em rivalidade uma relação até então harmônica e estável entre Washington e Caracas.

Anos antes de ser eleito presidente da Venezuela em 1998, Chávez — antecessor e mentor do atual presidente Nicolás Maduro — já assumia uma postura profundamente nacionalista e protecionista, o que motivou sua liderança de uma tentativa de golpe de Estado em 1992. Ainda sob a sombra da Guerra Fria e dos golpes e ditaduras militares apoiados por Washington que haviam sido instaurados em países da América Latina — como Brasil, Argentina e Chile — nas décadas de 1970 e 1980, Chávez sempre deixou claro que o anti-imperialismo era parte fundamental de sua política externa.

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Em 2002, as elites venezuelanas, insatisfeitas com as políticas populistas de Chávez, articularam um golpe de Estado contra o presidente. A estratégia era organizar manifestações pelo país que seriam reprimidas com violência e divulgadas como instauração do caos na Venezuela. A culpa, portanto, foi atribuída a Chávez, que chegou a ser destituído do cargo por dois dias, mas retornou ao poder por baixa adesão das bases militares e falta de reconhecimento internacional. O governo ilegítimo que assumiu a Presidência venezuelana neste breve período foi rejeitado por vizinhos sul-americanos, mas reconhecido imediatamente pelos Estados Unidos.

Dois anos depois, num discurso em Caracas, Chávez declarou publicamente o início da "etapa anti-imperialista" da Revolução Bolivariana, projeto de caráter socialista institucionalizado por seu governo. O episódio marcou uma posição mais explícita do chavismo de oposição à influência dos EUA na América Latina.

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A simpatia de Chávez pelos ideais socialistas desde a juventude, inspirado pela atuação do revolucionário venezuelano Símon Bolívar, e sua posterior aliança com o líder cubano Fidel Castro não apontavam para nenhuma surpresa no seu posicionamento antiamericanista. Consequentemente, essa foi também a postura tomada por Maduro, que foi chanceler e vice-presidente do governo chavista antes de se tornar presidente da Venezuela.

Em um discurso durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2006, Chávez marcou o ponto mais alto até então das tensões diplomáticas entre os dois países. Na ocasião, ao criticar a política externa americana, o líder venezuelano se referiu ao então presidente dos EUA, George W. Bush, como "o diabo".

Washington, por sua vez, sempre se incomodou com o posicionamento chavista, não só pelos interesses econômicos relacionados a Caracas, já que a Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, mas principalmente pela força que o bolivarianismo teve na região.

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O regime chavista, extremamente popular durante os primeiros anos, impulsionou a eleição de outros líderes de esquerda na América do Sul no início dos anos 2000.

Quando Donald Trump assumiu a Presidência dos EUA pela primeira vez em 2017, já durante o governo de Maduro — que assumiu em 2013, após a morte de Chávez, e que colecionou uma popularidade cada vez mais inferior à de seu antecessor —, escalou a animosidade para um novo patamar.

Em janeiro de 2019, em meio a um cenário de enfraquecimento dos governos de esquerda na região e aumento do autoritarismo na Venezuela, o então presidente da Assembleia Nacional venezuelana — controlada pela oposição — Juan Guaidó, se autoproclamou presidente do país. Seu governo foi reconhecido por diversos países, principalmente por Washington, que chegou a financiar a administração do líder oposicionista.

O objetivo da aliança era tomar o controle da administração venezuelana até que Maduro renunciasse ou concordassem em convocar novas eleições, com a justificativa de que o pleito de 2018 havia sido fraudado e, portanto, seu novo mandato era ilegítimo. O autoproclamado governo interino durou até 2022, quando Guaidó, com o esvaziamento do apoio dentro do próprio partido, teve seu mandato encerrado e decidiu ir se refugiar nos Estados Unidos.