Entenda por que a 'perfeição' nas redes sociais vem perdendo espaço para o real
Durante anos, a estética dominante na internet foi marcada por imagens altamente produzidas, maquiagem impecável e o uso intenso de filtros. Nos últimos meses, no entanto, começa a se consolidar uma mudança mais discreta nesse padrão visual: conteúdos com aparência mais cotidiana, menos editados e com maior exposição da espontaneidade vêm ganhando espaço em diferentes plataformas.
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Esse movimento também aparece no comportamento de consumo de conteúdo em ambientes digitais por assinatura, onde cresce a busca por vídeos e imagens sem filtros, com maquiagem mínima e estética mais próxima do cotidiano.
Para Kellerson Kurtz, diretor de operações da FatalFans, trata-se de uma mudança perceptível no próprio padrão de navegação dos usuários. "Muitos assinantes passaram a buscar justamente o oposto da estética perfeita das redes sociais. Há uma valorização maior da espontaneidade e da sensação de realidade", afirma.
Nos últimos meses, aparições públicas de celebridades como Kylie Jenner e Hailey Bieber em produções editoriais menos rígidas visualmente alimentaram debates sobre a chamada fadiga estética digital — a saturação provocada por imagens excessivamente polidas e por padrões visuais de alta perfeição.
Segundo Kurtz, esse cansaço visual também influencia a forma como os usuários percebem a intimidade no ambiente digital. "Por muito tempo, a lógica das redes foi associada a uma performance constante de perfeição. Isso começou a criar distanciamento. Hoje, o que gera conexão é aquilo que parece mais próximo do real", diz.
Dentro dessas plataformas, termos como "natural", "real", "sem filtro" e "espontâneo" passaram a aparecer com mais frequência na forma como conteúdos são descritos e organizados. O que antes poderia ser percebido como ausência de produção hoje é frequentemente associado a autenticidade.
"O conteúdo excessivamente perfeito se tornou previsível. A conexão hoje passa muito mais por aquilo que transmite humanidade", afirma o executivo.
Um relatório recente da Forbes aponta um aumento no interesse por conteúdos mais pessoais e menos editados, especialmente entre usuários que demonstram cansaço em relação a imagens altamente filtradas e padrões de beleza rígidos.
Para Kellerson, essa mudança não indica o fim da estética produzida, mas sim a convivência entre diferentes códigos visuais na internet contemporânea. "A perfeição ainda existe como linguagem, mas há uma busca crescente por conteúdos que pareçam mais reais", conclui.
